Dólar e Treasuries puxam juros dos DIs para cima

A alta da moeda norte-americana e dos yields dos Treasuries pressionou o mercado de juros, onde os contratos futuros trabalharam a sessão toda praticamente em alta. O único momento em que recuou foi na abertura, numa reação pontual aos dados fracos da produção industrial brasileira de maio. Os juros dos T-notes de 10 anos saltaram cerca de 6…

Escrito por: Conteúdo Estadão3 min de leitura
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A alta da moeda norte-americana e dos yields dos Treasuries pressionou o mercado de juros, onde os contratos futuros trabalharam a sessão toda praticamente em alta. O único momento em que recuou foi na abertura, numa reação pontual aos dados fracos da produção industrial brasileira de maio. Os juros dos T-notes de 10 anos saltaram cerca de 6 pontos-base. No final da tarde, o yield desse bônus estava em 2,624%, de 2,564% ontem, enquanto o dólar fechou a R$ 2,2240. com ganho de +0,86%.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do DI para janeiro de 2015 (99.410 contratos) estava em 10,76%, de 10,77% no ajuste anterior. Nos trechos intermediário e longo da estrutura a termo da curva de juros, o DI para janeiro de 2016 (117.550 contratos) apontava 11,13%, de 11,11% no ajuste de ontem. O juro para janeiro de 2017 (263.645 contratos) indicava 11,49%, de 11,43% na véspera. E o DI para janeiro de 2021 (39.015 contratos) mostrava máxima de 11,97%, de 11,90% no ajuste anterior.

O que puxou para cima o dólar foi a perspectiva de que o BC não vai rolar todo os contratos de swap cambial para agosto e também os dados da economia norte-americana que vieram melhores do que o esperado. A ADP comunicou a abertura de 281 mil novos postos de trabalho em junho, ante previsão de 210 mil vagas. E o índice de condições empresariais atuais de Nova York subiu para 60,5 no mês passado, de 55,3 em maio, maior nível em cinco meses.

No Brasil, o IBGE informou que a produção industrial caiu 0,6% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, resultado dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (-1,40% a +0,30%, com mediana de -0,60%). Em relação a maio de 2013, a produção caiu 3,2% (o intervalo ia de -1,70% a -6,00%, com mediana de -3,35%). No ano, a produção da indústria acumula queda de 1,6%. Em 12 meses, a produção subiu 0,2%.

Bem cedo, a Fipe divulgou que o IPC subiu 0,04% em junho em São Paulo, ante aumento de 0,25% em maio. O arrefecimento dos indicadores de inflação corrobora a ata do Copom e também o Relatório Trimestral de inflação, de que o ciclo de alta dos juros terminou. Ontem, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu entrevista para o Conexão Real, órgão de comunicação interna do BC, reforçando o que os documentos já haviam revelado. Segundo Tombini, os choques de preços dos alimentos estão se dissipando e a inflação encerrará 2014 respeitando os limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ainda de acordo com ele, a inflação ao consumidor está em patamar baixo e deve seguir comportada nos próximos meses. O presidente do BC voltou a dizer que em momentos como o atual, em que a inflação em 12 meses mostra resistência, a política monetária deve se manter vigilante.

Vale destacar que outros dados de atividade divulgados hoje também foram fracos. A Fenabrave informou que as vendas de autos e comerciais leves recuaram 17,24% em junho ante junho do ano passado. E a Fiesp anunciou que a confiança dos empresários industriais paulistas ficou em 47,2 pontos em junho, ante 47,4 pontos em maio. O INA caiu 0,9% em maio ante abril, na série com ajuste, e 7% ante maio de 2013. E o Nuci com ajuste passou de 79,8% em maio para 79,5% para junho.

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