Doze tripulantes do navio barrado em São Sebastião por irregularidades já retornaram aos países de origem

Os custos da repatriação serão pagos por uma empresa brasileira e pelo Ministério do Trabalho

Escrito por: Vinicius Assis3 min de leitura
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Divulgação
Ainda não há data para os outros tripulantes voltarem aos países de origem (Divulgação)

Doze tripulantes de um navio cargueiro do Panamá, país da América Central, que foi barrado por conter irregularidades, já voltaram aos países de origem. No último domingo (26), oito trabalhadores foram repatriados, enquanto os outros quatro servidores foram repatriados no sábado (18). Os custos da repatriação devem passar de R$ 1 milhão e serão bancados pelo governo brasileiro e por uma empresa também do Brasil. Quatro trabalhadores seguem no país.

O navio panamenho Srakane foi contratado pela empresa Ocean Wide, essa por sua vez havia sido contratada para transportar produtos agrícolas pela CBA Tranding, empresa de Santos, em São Paulo. A embarcação saiu da cidade de Casablanca, ao norte do Marrocos, na África, com destino ao Brasil no final de maio. A saga dos tripulantes, composta por europeus, sendo um homem da Eslováquia, três de Montenegro e doze da Ucrânia, começou ainda em alto mar, em meados de junho, quando a comida e a água se tornaram escassas a bordo, além de sete meses de salários atrasados.

O navio também tinha problemas na documentação para o transporte de produtos.

Já no Brasil, os tripulantes procuraram as autoridades para conseguirem voltar para a casa. O MPT (Ministério Público do Trabalho) entrou na Justiça contra a empresa, que somava uma dívida de aproximadamente R$ 1,1 milhão, por conta dos salários atrasados.

Após a confusão na Justiça, ficou acertado que a CBA assumiria os custos da repatriação dos trabalhadores e não teria que pagar as dívidas pela contratação da Ocean Wide. Os custos da repatriação devem chegar a R$ 1,3 milhão e serão divididos com o MPT.

Os trabalhadores seguiram o mesmo caminho, tanto quando voltaram no sábado (18) quando os que foram repatriados no domingo (26). Eles foram levados para o aeroporto de Guarulhos, de onde seguiram para Kiev, capital da Ucrânia. No Brasil ainda está o tripulante da Eslováquia e três ucranianos, ainda não se sabe quando eles voltarão aos países de origem.

Esses que ficaram vão contar com a ajuda de novos tripulantes brasileiros – pagos pela CBA – que vão manter o navio em funcionamento para que não haja mais problemas.

A CBA, empresa que assumiu os custos por vontade espontânea, foi procurada, mas não se manifestou até o encerramento desta reportagem. Já a Ocean Wide não foi encontrada para comentar o caso, mas em nota divulgada ao portal A Tribuna, do Litoral Sul do estado, a empresa afirma que o motivo para o atraso nos salários e na irregularidade foi a crise causada pela pandemia de Covid-19, a falta de carga nos portos e as constantes manutenções na embarcação.

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