Drones vão mapear espécies ameaçadas de macacos na zona rural de São José

Nova fase do Programa Primatas em São José dos Campos monitora espécies ameaçadas na Mata Atlântica de São Francisco Xavier com apoio de drones e da UFV

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto3 min de leitura
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A Prefeitura de São José dos Campos iniciou uma nova etapa do Programa Primatas com o objetivo de expandir os estudos e o mapeamento das espécies que habitam os fragmentos de Mata Atlântica do município. O foco desta nova fase do projeto está concentrado na zona rural norte e, especificamente, no distrito de São Francisco Xavier. As ações preveem a realização de um amplo levantamento populacional por meio de múltiplos métodos, que incluem o uso de drones e atividades de educação ambiental com a comunidade local.

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Os trabalhos de campo e acadêmicos são executados por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O financiamento da iniciativa é viabilizado com recursos do Fundo Municipal de Conservação Ambiental (FUMCAM), após a devida aprovação do Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMAM).

As equipes técnicas já iniciaram as vistorias em campo para estimar o tamanho populacional dos animais nos fragmentos florestais. No distrito de São Francisco Xavier, o censo dos muriquis-do-sul envolve visitas diretas a propriedades rurais e o monitoramento aéreo com drones. Os cientistas passaram por um treinamento específico para operar as aeronaves remotas, que agilizam o mapeamento e permitem registrar a localização precisa, as rotas de deslocamento e o comportamento dos primatas nas copas das árvores.

Atualmente, o território de São José dos Campos abriga cinco espécies nativas de primatas:

  • Espécies comuns: O macaco-prego e o sauá.
  • Ameaçadas de extinção: O bugio, o sagui-da-serra-escuro e o muriqui-do-sul.

O muriqui-do-sul destaca-se como o maior primata das Américas, sendo a população localizada em solo joseense uma das principais e mais expressivas de todo o país. No histórico do programa, o monitoramento urbano iniciado em novembro de 2022 já identificou mais de 300 saguis nativos espalhados por 126 áreas florestais, somando cerca de 2 mil hectares vistoriados.

O biólogo e professor da UFV, Fabiano Mello, explica que após a execução de um primeiro projeto focado no sagui-da-serra-escuro nos fragmentos urbanos, a prioridade agora é detalhar os fragmentos da zona rural para ampliar o conhecimento sobre o status de conservação de todas as cinco espécies nativas que o setor preserva.

Instituído originalmente em 2020, o Programa Primatas nasceu de uma cooperação entre a Prefeitura, órgãos públicos das esferas estadual e federal, além de entidades da sociedade civil, integrando pesquisa científica, conservação e educação ambiental. O projeto conta com o suporte de especialistas de renome nacional e internacional, como a Dra. Karen Strier, da Universidade de Wisconsin-Madison, e o próprio professor Fabiano Mello, vinculado também ao Muriqui Instituto de Biodiversidade.

Para além do levantamento de dados biológicos, a iniciativa busca integrar proprietários de terras e moradores rurais na agenda de preservação, evidenciando o papel das áreas verdes para a manutenção da biodiversidade joseense. Informações adicionais podem ser consultadas na página oficial da Prefeitura e dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail institucional [email protected].

Foto: Divulgação

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