Dudu, quem?
Os clubes bresileiros e sua extraordinária habilidade de comprar gato por lebre

A novela envolvendo a contratação do atacante Dudu, de 23 anos, foi, de longe, a maior chatice do ano até agora no noticiário esportivo. São Paulo e Corinthians duelaram abertamente pelo atacante como se disputassem o contrato de um fenômeno do futebol.
Em final surpreendente, o Palmeiras passou uma rasteira nos rivais e deve assinar contrato de quatro anos com o atacante. Segundo a imprensa, foram R$ 19 milhões gastos no jogador –muito mais do que ele realmente vale.
No Palestra, a vitória de bastidores já é tratada como um troco ao Tricolor, que contratou Alan Kardec, o que coloca ainda mais lenha na fogueira do mimimi entre as duas diretorias.
O fato é que o misancene só evidencia um dos grandes problemas do futebol brasileiro: a valorização desmedida de jogadores que não valem lá o quanto pesam. Sem muita criatividade para contratar, os clubes arriscam-se em loucuras financeiras por atletas que muito provavelmente não darão o retorno esperado.
Bom para os empresários, que estipulam salários e transações financeiras estratosféricas e aproveitam-se do leilão promovido pelos clubes para valorizar o seu produto. Dudu, que está longe de ser prioridade no Dínamo de Kiev –clube que detinha seus direitos-, fez oito gols em 52 partidas pelo Grêmio em 2014.
O Grêmio foi apenas o 15º no ranking dos melhores ataques do Brasileirão. Pelo campeonato, Dudu anotou apenas três gols.
No final de 2013, o Santos protagonizou a contratação mais cara do futebol brasileiro quando trouxe, pela bagatela de R$ 42 milhões, o centro avante Leandro Damião, que defendia o Internacional. Em sua primeira temporada pelo Alvinegro Praiano, o atacante não correspondeu e chegou a perder a posição para o garoto Gabriel.
A lista de gatos vendidos como lebres no futebol brasileiro é grande e tem como seu maior expoente o atacante Kléber Gladiador, de 31 anos –boa parte deles destinados a enganar torcedores de Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro e, recentemente, o Vasco.
Cabe agora ao torcedor palmeirense “comemorar” a fortuna gasta com o jogador que, por detalhe ínfimo, declarou na semana passada o desejo de atuar pelo maior rival. A língua também pune, Dudu.
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