Eckel acredita na Alemanha: “eles vão conseguir”
No domingo, quando Philipp Lahm, Miroslav Klose e companhia entrarem em campo no Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro para a disputa da final da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014, um dos maiores heróis da história do futebol alemão estará sentado no sofá da sua sala de estar e com certeza se lembrará da “sua” decisão. Estamos falando de Horst Eckel.


Horst Eckel está confiante na seleção alemã diante dos argentinos
Getty Images/Fifa.com/Divulgação
No domingo, quando Philipp Lahm, Miroslav Klose e companhia entrarem em campo no Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro para a disputa da final da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014, um dos maiores heróis da história do futebol alemão estará sentado no sofá da sua sala de estar e com certeza se lembrará da “sua” decisão. Estamos falando de Horst Eckel.
Em 1954, ele era o mais jovem jogador do plantel que protagonizou o “Milagre de Berna”, quando a seleção alemã derrotou de virada a poderosa e aparentemente imbatível Hungria por 3 a 2 em uma final memorável da Copa do Mundo e ficou com o troféu.
Passados 60 anos e nove dias, a atual geração germânica quer repetir o feito no Brasil. “Acredito que os garotos vão conseguir”, afirmou o ex-jogador de 82 anos em entrevista concedida ao Fifa.com poucos dias antes da final. “Já temos uma chance um pouco melhor. A equipe se preparou muito bem. Mas a Argentina também não está na final por acaso. A seleção argentina não é ruim e será preciso ter atenção com Lionel Messi até o apito final. É preciso ficar continuamente de olho em jogadores como ele.”
O pior começo possível
Para Eckel, a seleção alemã é muito forte e não tem nenhuma fraqueza real — “assim como em 1954”. No entanto, a situação antes da decisão contra os “Magiares Mágicos” à época era completamente diferente. “Para nós foi muito difícil viajar para a Suíça porque em 1954 a Alemanha não era reconhecida em todo o mundo política, econômica e esportivamente. Mas não viajamos até lá para não perder, queríamos jogar bem, jogar pela Alemanha”, relembrou Eckel certa vez em entrevista ao Fifa.com.
A equipe treinada pelo técnico Sepp Herberger se classificou para as quartas de final após duas vitórias sobre a Turquia e uma amarga derrota por 8 a 3 para os húngaros. Nas quartas, os alemães avançaram com um triunfo sobre a Iugoslávia por 2 a 0, uma experiência essencial para a Alemanha Ocidental.
“Depois daquilo, percebemos que podíamos chegar ainda mais longe”, afirmou Eckel. “Mas o título mundial ainda estava muito distante. Chegamos às semifinais e isso já tinha sido um grande sucesso para nós.” As semifinais, entretanto, terminaram com uma fulminante goleada por 6 a 1 sobre a Áustria.
O jogo derradeiro teria o pior começo possível, com dois gols húngaros logo no começo. “Foi então que o (goleiro) Toni Turek deu uma sacudida na equipe. Ele veio até o ataque e falou: ‘Vamos, pessoal, não podemos perder de tanto assim.’ Quando diminuímos o placar para 2 a 1, percebemos que tínhamos uma chance contra a grande Hungria. E o 2 a 2 foi para mim o gol mais importante. Depois dele fomos para o intervalo e dissemos: agora nos recuperamos de uma desvantagem de 2 a 0 contra a Hungria, agora podemos ser campeões mundiais — e queríamos ser campeões mundiais!”, conta Eckel.
No alto da carroça amarela
O final da história todos conhecem. Helmut Rahn marcou o gol da vitória por 3 a 2 aos 39 minutos da etapa complementar, dando à Alemanha o seu primeiro título mundial. O “Milagre de Berna” havia acontecido. “Obviamente ficamos muito contentes e caímos nos braços uns dos outros”, lembrou Eckel. “Mas não tiramos as camisas e as jogamos para o público nem jogamos cerveja uns nos outros como acontece hoje em dia. Isso não existia na nossa época.
Depois fomos ao vestiário e comemos lá, como faríamos se tivéssemos perdido o jogo. Todos comeram lá e pensaram: ‘Somos mesmo campeões mundiais? O que vai acontecer quando voltarmos?’ Até que o Herberger nos chacoalhou: ‘O que aconteceu com vocês? Não sabem que foram campeões mundiais? E agora vamos cantar.’
Com Herberger, sempre precisávamos cantar Hoch auf dem gelben Wagen (“No alto da carroça amarela” — canção popular alemã que descreve a vida humana como uma viagem de carroça). Depois todos se soltaram. E então o volume foi aumentando e cantamos ainda mais. Foi como um sonho”, descreve.
Mas toda aquela comemoração ainda seria superada pelo retorno triunfal. Os jogadores foram recebidos e celebrados por centenas de milhares de pessoas em todo o país. “Como não éramos bem vistos no mundo, também não sabíamos o que nos esperava na Alemanha”, afirmou. “Só percebemos isso quando voltamos. Então soubemos que tínhamos ajudado um pouco para que a Alemanha se reerguesse. Isso nos deixou orgulhosos.”
Mas o que realmente muda quando somos campeões mundiais? “Não estaríamos fazendo esta entrevista agora se eu não fosse”, respondeu com um sorriso Eckel, único jogador da vitoriosa campanha de 1954 além de Hans Schäfer ainda vivo. “Então, eu seria apenas mais um dentre tantos ex-jogadores de futebol. Ser campeão mundial é uma grande honra. Mas depois também não podemos ficar loucos, temos de manter os pés no chão. O orgulho de um título desses obviamente permanece para sempre.”
E agora a equipe do treinador Joachim Löw pode estar prestes a sentir este mesmo orgulho. “Temos uma seleção muito forte, assim como em 1954”, declarou Eckel. “Somos fortes no ataque e na defesa. E espero que eles joguem ainda um pouco melhor, porque é uma final.”
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