Editorial: RMVale sem Carnaval?
A pouco menos de um mês para a tradicional festa de Momo, muitas cidades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte já anunciaram que não terão eventos oficiais no Carnaval. O motivo? Falta de dinheiro.

A pouco menos de um mês para a tradicional festa de Momo, muitas cidades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte já anunciaram que não terão eventos oficiais no Carnaval. O motivo? Falta de dinheiro.
Das cinco festas mais tradicionais da região -São José dos Campos, Guaratinguetá, Jacareí, Taubaté e São Luiz do Paraitinga- apenas a terra de Lobato e a cidade das “marchinhas” mantiveram a programação dos últimos anos.
São José dos Campos chega ao terceiro ano consecutivo sem o tradicional desfile das escolas de samba. De um lado, a prefeitura diz que há problemas nas prestações de contas das escolas, que por outro lado, se defendem dizendo que a administração municipal é quem não quer realizar os desfiles. Blocos de rua, como o Pirô-Piraquara, e festas nos bairros serão as opções de folia na cidade
Guaratinguetá tem o principal Carnaval de escolas de samba da região. Pela proximidade com o Rio de Janeiro, muitos que desfilam na capital fluminense, também mostram que tem samba no pé na avenida Presidente Vargas, tradicional palco da folia.
Mas, em 2015, a prefeitura preferiu investir em blocos e shows musicais, já que não teria o R$ 1 milhão necessário para “bancar” a festa. A tradicional “Banda Mole” será a principal atração.
Assim como São José e Guará, Jacareí é mais uma que optou por investir menos recursos no Carnaval. Com isso, os desfiles dão espaços para blocos nas ruas e bailes em clubes.
Em Taubaté, nove escolas -sendo cinco do grupo especial e quatro do de acesso- vão para a avenida do Povo entre os dias 14 e 17 de fevereiro. O Carnaval de escolas de samba costuma levar milhares de pessoas para avenida que mexe com a economia da cidade, já que há ambulantes cadastrados para trabalharem na festa.
Em São Luiz do Paraitinga, o tradicional Carnaval das marchinhas será mantido, porém com uma grande diferença: pela primeira vez a folia foi terceirizada.
Uma empresa de Taubaté venceu a licitação no valor de R$ 429 mil para poder explorar a festa. A Four Shine terá direito a comercializar 30 barracas, entre comida e bebida, e também a vender convites para camarotes que serão montados na cidade. Mas para um Carnaval de rua, que sempre foi “gratuito”, há quem queira comprar ingressos de camarote? Seria a “camarotização” do Carnaval?
Em 2014, o Carnaval em São Luiz do Paraitinga gerou R$ 15 milhões para a economia da cidade. Mas, a prefeitura prefere terceirizar a festa, por preferir investir os cerca de R$ 500 mil em outras áreas.
O certo é que a festa que poderia fomentar o turismo nas cidades da região está sendo deixada de lado pelas administrações municipais. Há um prejuízo tão grande assim? Nos últimos anos é crescente o número de foliões da região saindo nesta época a procura de Carnaval em outras cidades. O sul de Minas Gerais é um dos locais mais procurados. Quem perde com isso?
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