Efeito lay-off: comércio projeta queda nas vendas no Vale do Paraíba

Com a suspensão dos contratos de trabalho de mais de mil funcionários em duas montadoras da RMVale a partir desta segunda-feira (8), o comércio já sinaliza o “vermelho” e projeta queda nas vendas para os próximos dois meses.

Escrito por: Moisés Rosa3 min de leitura
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Comércio vai enfrentar perdas nos próximos dois meses na região

Flávio Pereira/Meon

Com a suspensão dos contratos de trabalho de mais de mil funcionários em duas montadoras da RMVale a partir desta segunda-feira (8), o comércio já sinaliza o “vermelho” e projeta queda nas vendas para os próximos dois meses.

Na Ford de Taubaté mais 116 funcionários vão ficar afastados do trabalho por cinco meses. Em agosto, a montadora já havia colocado outros 108 operários em lay-off. Na General Motors, em São José dos Campos, 930 funcionários vão ter os contratos suspensos até 7 de fevereiro de 2015.

Na avaliação do presidente da ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José dos Campos, Felipe Cury, a situação está surpreendendo o comércio e afetando diretamente o setor de vendas.

“Fomos surpreendidos com a primeira crise na GM e agora toda a região está sendo afetada com a suspensão dos contratos dos funcionários. Isso impacta diretamente, pois são empresas âncoras na região e diversos setores dependem da sua produção”, afirma.

Cury diz que, a partir de agora, o comércio deve sentir ainda mais, pois os trabalhadores vão controlar as despesas e evitar gastos. “Os trabalhadores vão apertar os cintos e frear qualquer tipo de gastos e, com isso, não vão fazer compras. Esse desempenho negativo também tem sido acompanhado com o péssimo período da Copa do Mundo”, destaca.

Para o presidente da ACI, o cenário negativo só deve começar a melhorar no fim do ano. “Temos a expectativa de melhorar as vendas em dezembro, período em que o comércio mais fatura, mas até lá as vendas estão comprometidas”, diz.

Avaliação
O economista e professor da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), Roque Mendes, afirma que a queda da produção industrial no primeiro semestre deste ano foi alvo atípico para o país, por conta dos feriados e eventos.

“Tivemos um período diferente, com vários feriados que atrapalharam a produção industrial. Outra situação que interferiu foi que a exportação de carros para a Argentina também ficou comprometida. Com isso, o estoque de carros se acumulam e as montadoras precisam se adequar à produção”, explica.

Mendes avalia que a possibilidade de demissão pode ser algo iminente após o período de lay-off. “O risco existe e vão aproveitar os melhores funcionários”, diz.

O economista também alerta perdas no comércio da região. “A insegurança é algo que existe e aqueles que estão no lay-off vão comprar apenas o essencial, pois ficam temerosos com a falta de dinheiro”, destaca.

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