Elenco de ‘O Musical Mamonas’ reproduz o clima de liberdade total
Atores se entregam com irreverência e rigor no palco


Arthur Ienzura (Sergio Reoli), Elcio Bonazzi (Samuel Reoli), Ruy Brissac (Dinho), Yudi Tamashiro (Bento Hinoto) e Adriano Tunes (Julio Rasec)
Juliana Farina / Central 42
O anjo Gabriel é quem traz a missão para os cinco rapazes do Mamonas Assassinas: a fim de dar um jeito na caretice que tomou conta da vida dos brasileiros, Bento, Dinho, Júlio, Samuel e Sergio resolvem criar um musical biográfico em que contam como se transformaram em um sucesso arrasa-quarteirão com canções de nível duvidoso (afinal, usavam expressões chulas como “passar a mão na bunda” e “cabelos do saco”), que encantaram principalmente as crianças.
“A primeira lembrança que me veio deles quando comecei a trabalhar em O Musical Mamonas foi o humor infantil, aquela facilidade muito brasileira para lidar e brincar com preconceitos sem ser ofensivo. Enfim, a irreverência plena”, comenta o diretor José Possi Neto que, experiente, descobriu o fio da meada ao dissecar o roteiro original do dramaturgo Walter Daguerre, autor do musical Jim, sobre Jim Morrison.
Como o encadeamento das cenas facilitava mais uma encenação teatral, Possi e o diretor musical Miguel Briamonte encaixaram “momentos musicais”, que não apenas reforçaram o gênero do espetáculo como facilitaram a troca de figurinos e de cenários.
“Mas um detalhe era essencial valorizar, pois, caso contrário, o musical correria o risco de ficar chato e não representar o espírito dos Mamonas: a paródia. Eles brincaram com música mexicana (em Pelados em Santos), pagode (Lá Vem o Alemão), forró (Jumento Celestino), canção portuguesa (Vira-Vira), ou seja, se apropriavam da estrutura de cada ritmo e as transformavam até surgir algo novo”, observa Possi.
Outra escolha que se revelou valiosa foi a de utilizar também canções que marcaram os anos 1990, além das compostas pelos Mamonas. Assim, antes de o grupo fazer sucesso, a história de sua trajetória é também contada por trabalhos do Legião Urbana, Pink Floyd, Titãs, Guns N’ Roses, Engenheiros do Havaí.
“Na verdade, a primeira composição dos Mamonas, Mina, só aparece depois de 40 minutos do espetáculo”, comenta Ruy Brissac, que vive o vocalista Dinho. “E, mesmo assim, de forma surpreendente, só no violão, um estilo acústico, sem aquela loucura que marcava as apresentações deles.”
Brissac foi escolhido para o papel por intermédio de audições, assim como o restante do quinteto formado por Adriano Tunes (que vive o tecladista Julio), Yudi Tamashiro (o guitarrista Bento), Elcio Bonazzi (o baixista Samuel) e Arthur Ienzura (o baterista Sérgio). As semelhanças deles com seus personagens é impressionante. “Mas não queríamos clones dos Mamonas, ou seja, atores que imitassem os originais”, avisa Possi. “Muitos foram afastados durante a seleção, que foi direcionada de forma a termos um grupo que soubesse reprisar o espírito irreverente dos Mamonas.”
Para isso, Possi adotou uma forma de direção baseada no improviso – sem perder o fio da meada, afinal, um musical se sustenta em marcações precisas e canções no tom certo, ele incentivou o grupo a criar novas situações a cada dia de ensaio. “Esse clima é o que melhor retrata os Mamonas – eles não se sentiam presos a nada e faziam o que vinha à cabeça quando estavam no palco”, diz o diretor.
“Muitas vezes, eu me esqueço que estou em uma apresentação teatral, tamanho o clima de brincadeira que acontece entre a gente”, conta Yudi. “Os Mamonas viviam intensamente e isso exige uma boa preparação física”, completa Arthur Ienzura. “Sabemos da responsabilidade, pois já se criou uma enorme expectativa para o musical – tanto que nossa página no Facebook já tem 12 mil seguidores”, informa Elcio Bonazzi.
Como se trata de um elenco jovem, a preparação foi completada pelas visitas dos familiares dos rapazes de Guarulhos, que trouxeram informações preciosas. Também assistiu a um ensaio o empresário Rick Bonadio, que apostou na irreverência como melhor caminho para os Mamonas conquistarem o sucesso. No musical, ele é interpretado por Patrick Amstalden, talentoso ator que, além de bela voz, domina as cenas de humor.
Desde o início dos ensaios, José Possi Neto apostava na linguagem dos quadrinhos como a que melhor expressa a irreverência dos Mamonas. Foi esse conceito que inspirou o make-up designer Anderson Bueno a criar um visual bem-humorado, especialmente para os outros personagens. E, como Ruy é o que mais se parece com Dinho, Bueno cuidou dos cabelos e da barba dos demais para se aproximarem.
O MUSICAL MAMONAS
Onde: Teatro Raul Cortez, rua Dr. Plínio Barreto, 285
Quando: 5ª a sábado, 21h; domingo, 18h. (até 29 de maio)
Quanto: R$ 120
Informações: 3254.1631
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