Em 2014 ‘tivemos que nos reinventar’, diz comandante da PM do Vale
Cel. Eliane Nikoluk abre série que relembra grandes momentos de 2014


Cel. Eliane Nikoluk, comandante da PM na RMVale avalia 2014
Flávio Pereira/Meon
O ano de 2014 chega ao fim, mas deixa sua uma marca em cada um e também em toda a Região Metropolitana do Vale do Paraíba. O Meon ouviu algumas personalidades da região, que traçaram uma retrospectiva tanto pessoal, quanto política e econômica deste ano.
“Sempre encarei os desafios como grandes oportunidades de melhoria e quanto mais difícil, melhor”, avalia a primeira entrevistada da série, a coronel Eliane Nikoluk Scachetti, que assumiu em maio de 2014 o comando da Polícia Militar na RMVale. De janeiro a outubro deste ano, a PM realizou mais de 1,6 milhões de intervenções ou atendimentos na região, o que corresponde a mais de 220 atendimentos por hora.
“Infelizmente, isso não aparece. Mas quando um desses atendimentos dá errado, ou há um erro, somos expostos e julgados nos noticiários. Acho que há necessidade da população conhecer melhor sua polícia”, desabafa a comandante que falou ainda sobre perdas, planos e outros momentos importantes de 2014.
Pessoalmente, como você define o ano de 2014?
Foi um ano diferente, bastante desafiador, cheio de novidades, como a realização da Copa do Mundo e de eleições inseridas em um período de intensas manifestações populares que revelavam um desejo de mudanças e que foi algo diferente para o trabalho da polícia, pois tínhamos de garantir o direito à manifestação, mas sem deixar que a ordem fosse violada e vidas fossem colocadas em risco. Ao mesmo tempo, não paramos de executar o trabalho do dia a dia, como o policiamento preventivo, as escoltas e guardas de presos, as centenas de operações planejadas e os milhares de atendimentos emergenciais – ou não – a população. Cumprimos nossa missão constitucional, mas também aprendemos muito com tudo isso, inovando, gerenciando crises e conciliando interesses, sem jamais perder de vista o bem comum. Tivemos que nos reinventar e nos saímos melhores com tudo isso.
Em sua opinião, quais os melhores acontecimentos deste ano em sua vida?
Foram vários os momentos maravilhosos em 2014. Estar com saúde e energia, filhos fechando bem o ano e passando na universidade foram alguns deles. Mas o grande momento pessoal de 2014 foi ser designada para o Comando do Policiamento da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, uma região que conheço, adoro e onde vejo um grande potencial de desenvolvimento, de qualidade de vida e de sustentabilidade mas, ao mesmo tempo, grandes desafios ao nosso trabalho. Sempre encarei os desafios como grandes oportunidades de melhoria e, quanto mais difícil, melhor! Dependendo do problema ou desafio a ser vencido, temos que inovar, articular esforços, liderar, motivar, corrigir não conformidades, mas principalmente reconhecer o bom trabalho da nossa grande equipe e isso tudo é muito gratificante. Assim, cada novo desafio passa também a ser um super acontecimento e muito melhor quando superado!
E os piores momentos, quais foram?
Natural que ao longo do ano tenhamos momentos ruins, mas os piores deles foram sem dúvidas as mortes de Policiais Militares em razão do serviço ou vitimados por ataques covardes. Dentre dezenas deles, destaco nosso soldado Guedes, morto em Caçapava durante um acidente com viatura durante o serviço, além dos Policiais Militares feridos. Foi muito forte, muito chocante, perdi um irmão, um amigo, um companheiro na luta pelo bem, e a sensação de impotência que nos vem nessas horas torna-se quase insuportável. Acredito que temos uma profissão abençoada, porque trabalhar para servir e proteger é muito gratificante e vale todos os riscos que corremos. Na verdade o pior disso tudo é a falta de reconhecimento das pessoas, da sociedade e ver que milhares de bons atendimentos não são vistos, simplesmente ficam anônimos. E que muitas pessoas ainda vêem no policial militar um inimigo, uma coisa e não um ser humano, que está sim sujeito a erros, mas que se esforça para fazer o melhor possível dentro de contextos e situações muito difíceis.
Olhando agora para o Vale do Paraíba, como você avalia o ano que se encerra?
Dentro do assunto que é a minha “praia”, a segurança pública, penso que superamos grandes desafios e mostramos capacidade de articulação e integração. Conseguimos resultados positivos em relação a produtividade, a prevenção e enfrentamento ao crime, mas sabemos que é preciso melhorar ainda mais. Para conseguir melhoras precisamos conseguir juntos intensificar ações e medidas de prevenção primária que mexam com as causas raízes da violência: famílias, educação e planejamento e ordenamento urbano. Isso só é possível por meio da integração de esforços.
Outro fator importante nas questões da segurança é que nossa região frequentemente tem sido vista como a mais violenta do Estado. Isso é uma grande injustiça, pois quando se comparam regiões completamente diferentes, simplesmente considerando números absolutos, é como comparar maçã com gato. Nossa região tem características peculiares, recebe em média 40 milhões de turistas ao ano, durante o ano inteiro. Por isso, quando avaliamos nossas estatísticas criminais sob um mesmo critério técnico de comparação (como crimes por 100 mil habitantes) constatamos que nossos resultados são bons e com cidades que estão, atualmente, com alguns dos menores indicadores do Estado, como por exemplo, a maior cidade do Vale, São José dos Campos, que apresenta menos de 9 Homicídios a cada 100 mil habitantes.
Para você, quais foram os fatos mais marcantes de 2014 no Estado? E no país?
Sem dúvidas, a Copa de Mundo e as eleições! Foram fatos únicos no País que envolveram fortemente a todos. Mas nada foi mais estarrecedor do as notícias de corrupção que continuam sendo divulgadas nas páginas de todos os jornais, em todos os noticiários e órgãos de imprensa. A corrupção é um câncer social perigoso, fatal, que quando infiltrado destrói tudo o que sustenta e mantém uma cidade, um Estado e um País. Todos os aspectos de sustentação social – saúde, educação, segurança, trabalho, habitação, ordenamento e estrutura urbana, etc. – são praticamente sucateados diante da corrupção crônica. E quando a essa corrupção toda soma- se questões de forte caráter ideológico, mas de forma parcial, isso se torna ainda muito mais perigoso para o equilíbrio da sociedade.
Quais as expectativas para 2015?
Precisamos nos unir, integrar esforços, porque há muito a ser feito, sem dúvidas podemos melhorar sempre. Por isso aproveito para em nome de cada Policial Militar de nossa querida região, desejar a todos um Natal abençoado, e um Ano Novo repleto do espírito de paz, amor, solidariedade e respeito. Somos uma maioria de bem que precisa se unir em prol de prioridades e dos mesmos objetivos, e desejo sinceramente que 2015 possa fomentar esse espírito de cooperação e união entre todas as pessoas de bem!
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