Em busca do tempo perdido
Vi muita gente perder a juventude atrás de segurança. O problema é que, quando finalmente conseguem conforto, a juventude se foi. De qualquer forma, o mundo seria realmente encantado se as pessoas nascessem velhas e morressem crianças. A existência começaria aos 80 ou 90 anos. Seríamos como bebês, frágeis, com dificuldade para andar. O reumatismo […]

Vi muita gente perder a juventude atrás de segurança. O problema é que, quando finalmente conseguem conforto, a juventude se foi. De qualquer forma, o mundo seria realmente encantado se as pessoas nascessem velhas e morressem crianças.
A existência começaria aos 80 ou 90 anos. Seríamos como bebês, frágeis, com dificuldade para andar. O reumatismo diminuiria aos 76. Aos 74, estaríamos na escola. Fumar o primeiro cigarro aos 63. Namorar aos 62. Universidade aos 60.
Começaríamos a trabalhar aos 55. Seria possível conseguir conforto e segurança sem perder a juventude. A barriga encolheria. As rugas desapareceriam aos 30. As mãos ganhariam agilidade.
Aos 20, pediríamos aposentadoria, em pleno vigor físico e mental. Seria possível brincar na infância em companhia dos amigos da velhice, com toda sabedoria acumulada. E quando a morte finalmente viesse, estaríamos tranquilamente no berço, prontos para o sono eterno.
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