Em cinco anos, quase dois mil detentos não voltam de ‘saidinha’ nas penitenciárias de Tremembé

Em cinco anos, um total de 1.994 detentos de regime semiaberto das P1, P2 e penitenciária feminina de Tremembé não voltaram das saídas temporárias concedidas durante os feriados. Só no último Dia dos Pais, no dia 10 de agosto, dos 1.828 detentos que saíram, 47 não voltaram.

Escrito por: João Pedro Teles e Letícia Dantas2 min de leitura
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Alguns dos beneficiados voltam a cometer crimes durante a saída temporária

Divulgação

Em cinco anos, um total de 1.994 detentos de regime semiaberto das P1, P2 e penitenciária feminina de Tremembé não voltaram das saídas temporárias concedidas durante os feriados. Só no último Dia dos Pais, no dia 10 de agosto, dos 1.828 detentos que saíram, 47 não voltaram.

Neste período, foram registradas três ocorrências envolvendo detentos que não voltaram às celas. Uma delas foi o assassinato do ex-prefeito de Potim, Benito Thomaz, cujo um dos suspeitos havia se beneficiado com a saída temporária da P1.

Em Lorena, no dia 8, um outro presidiário se envolveu em um roubo a uma loja do shopping da cidade. Enquanto o comparsa foi preso, o foragido conseguiu fugir dos policiais. Também em Lorena, um detento com a saída temporária foi morto a tiros no bairro Vila Passos, no dia 9 de agosto em caso que está sendo investigado pela Polícia Civil.

Para o advogado Cristiano Pacheco, presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São José dos Campos, o principal problema está nas más condições do sistema carcerário brasileiro.

“A saída temporária não é o problema, mas sim as péssimas condições de superlotação e falta de agentes penitenciários nas unidades prisionais. Na falta de um sistema prisional moderno, os presídios acabam piorando as condições do detento. Os crimes que acontecem são casos isolados e não devem ser vistos como a causa desses delitos”, comenta.

Saidinha
A saída temporária é um benefício concedido aos presos no regime semiaberto durante os períodos de feriados como a Páscoa, Dia dos Pais, Dia das Mães, Natal e Dia das Crianças.

“É uma medida que faz parte do processo de recuperação dos detentos. O principal problema é a falta de incentivo do Estado para que, de fato, essas pessoas possam voltar à sociedade”, explica.

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