Em meio à polêmica da remoção, bar e mercearia são fechados no Banhado
Uma operação conjunta do Departamento de Fiscalização e Posturas Municipais de São José dos Campos e da Polícia Militar lacrou um bar e uma mercearia do Jardim Nova Esperança, no Banhado. A ação é encarada pelos moradores como uma tentativa de pressionar a comunidade a aceitar as propostas de remoção sugeridas pela prefeitura.


Daniel Moreira teve seu estabelecimento fechado durante ação
Flávio Pereira/Meon
Uma operação conjunta do Departamento de Fiscalização e Posturas Municipais de São José dos Campos e da Polícia Militar lacrou um bar e uma mercearia do Jardim Nova Esperança, no Banhado. A ação é encarada pelos moradores como uma tentativa de pressionar a comunidade a aceitar as propostas de remoção sugeridas pela prefeitura.
A administração do prefeito Carlinhos Almeida (PT) pretende remover as 640 famílias do Nova Esperança até o início de 2015. No local está prevista a construção da Via Banhado, corredor viário que ligaria a Via Norte e a região oeste da cidade.
Com as interdições, realizadas na terça-feira (16), restou apenas um bar no Jardim Nova Esperança, mas o estabelecimento já recebeu notificação da Secretaria de Defesa do Cidadão por funcionar sem licença.
Os moradores rejeitaram as cinco propostas para deixar o imóvel -indenização dos imóveis documentados, indenização com base em laudos para quem não tem a documentação, inclusão em programas habitacionais do governo, auxílio aluguel ou compra assistida.
“Desceram oito motos da Rocan, junto com mais três viaturas da PM. Nos passaram a informação de que os estabelecimentos estavam atrapalhando o sossego por causa do som alto”, afirma o líder comunitário David Moraes, dono do bar que recebeu a notificação da prefeitura.
Dono da mercearia lacrada, Daniel Santos Moreira lamenta o fechamento de seu estabelecimento. Proprietário há 15 anos do comércio, Moreira afirma que não entendeu a ação. “Não costumamos fazer barulho nenhum aqui na mercearia. Tenho apenas uma televisão. O comércio é minha única fonte de renda”, afirma.
O defensor público Jairo Salvador, de São José dos Campos, vê com preocupação a medida tomada pela prefeitura. Para ele, a medida pode dar início a uma postura de pressão contra os moradores. “Fico preocupado com um processo de criminalização da comunidade. Houve uma ação desproporcional na terça-feira”, afirma.
Salvador diz que o processo que envolve a retirada dos moradores tem sido realizado com pouco diálogo e com curto prazo para que a comunidade tome as decisões. “Os prazos são curtos, houve uma dificuldade absurda para apresentação do impacto ambiental e pouco diálogo com a comunidade. A via foi apresentada sem um plano de mobilidade urbana e não vai atender o transporte público.”
Outro lado
Por meio de nota, a Secretaria de Defesa do Cidadão confirmou a ação e informou que a causa da operação foi o “desrespeito a uma interdição fiscal efetuada em 2010”. De acordo com a nota, os locais foram interditados por falta de licença há quatro anos e, nesse período, não houve iniciativa de regularização por parte do responsável.
Posts Relacionados

PM captura seis procurados pela Justiça em menos de 10 horas na região do 23º BPM/I

Força Tática prende traficante reincidente com mais de 300 porções de drogas em Guaratinguetá

Dupla Bruno & Marrone se apresenta neste sábado (24)em São José dos Campos
