Em novo álbum solo, Joabe Reis traz brasilidade para o jazz e propõe convite de reflexão em meio ao caos

Em ‘Drive Slow – A Última das Fantasias’, renomado trombonista despreza as rasas dicotomias entre local e global, sofisticação e popular

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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Quando Joabe Reis toca seu poderoso trombone, uma frase do escritor russo Leon Tolstói

parece ressoar entre os acordes: “se queres ser universal, começa por pintar a sua aldeia”.

Este é o conceito sonoro desenvolvido no álbum ‘Drive Slow – A Última das Fantasias’, mais

novo trabalho solo do instrumentista capixaba e lançamento em parceria com o selo Batuki

Records, que será lançado nesta quarta-feira, 27 de janeiro, mesma data em que Joabe

apresenta o show de lançamento no SESC Pinheiros.

Com nove faixas, e a maior parte delas autorais, o álbum dialoga com diferentes correntes

musicais, transpondo rasas dicotomias e propondo um encaixe perfeito entre o local e o

global, o popular e o sofisticado. O novo trabalho conta ainda com vozes e composições de

Gabi Câmara, Heloá Holanda e Bia Ferreira. E a coautoria de algumas faixas é de Marcelo

de Lamare.

“O meu som já é conhecido como música instrumental, mas desde meu último álbum (o

disco ‘028’) venho sentindo a necessidade de imprimir uma digital mais forte de brasilidade

nas minhas composições e arranjos”, comenta Joabe Reis.

Há muitas sonoridades brasileiras salpicadas ao longo de ‘Drive Slow’. Na música ‘Corre’,

terceira faixa do álbum, a cantora Bia Ferreira fala sobre racismo e preconceito, em um feat

com a canção ‘Cordeiro de Nanã’, dos Tincoãs.

A influência gringa, sobretudo do UK Garage, um ritmo sincopado dos anos 1990 nascido

na Inglaterra, também agrega no caleidoscópio musical do novo trabalho. O gênero aparece

combinado com tantas outras manifestações artísticas, como o Hip Hop e o Rhythm and

Blues (R&B).

A música de abertura, ‘Pica Pau no Vidigal’, ilustra bem esse amálgama. Abre com o arranjo

de metais da canção do Sítio do Pica-Pau-Amarelo, de Gilberto Gil, e se estende para um

grande show de baile.

“Ao longo da minha carreira eu toquei com tanta gente (Anitta, Gloria Groove, Xênia França,

Il Volo, Macy Gray, Ivan Lins) que fui absorvendo elementos de cada um deles. Trouxe essa

grande miscelânea para este novo disco, mas sem perder a perspectiva de ser um trabalho

instrumental brasileiro e com o intuito de propor um pé no freio em meio à nossa rotina

caótica”, diz Joabe Reis.

Em abril de 2025, Joabe já havia lançado o primeiro single, homônimo ao novo álbum. A

canção foi feita em parceria com o rapper Zudizilla e o trompetista americano Theo Croker.

Agora, com o projeto completo, ele prepara um grande show de lançamento de ‘Drive Slow –

A Última das Fantasias’, que acontece no dia 28 de janeiro, às 20h30, no Sesc Pinheiros,

em São Paulo.

“A ideia do show em um espaço como o Sesc obedece a uma das bandeiras que

carregamos com este novo álbum e também na minha carreira. A de popularizar a música

instrumental, mas sem perder a essência e sofisticação dela. Queremos que este gênero

seja cada vez mais acessível ao grande público, mas sem rebaixar sua qualidade sonora e

seu poder de provocar e instigar o público”, arremata.

FICHA TÉCNICA:

Joabe Reis – Produção, direção, arranjos e programação

Marcelo de Lamare – Produção e programação

Lançamento – Batuki Records \ Distribuição – Tratore

Joabe Reis – trombone

Jesse Sadoc – trompete / flugelhorn

Sidmar Vieira – trompete / flugelhorn

Josué Lopez – sax tenor / sax alto / flauta

Danilo Sinna – sax alto / sax barítono / flauta

The Crocker – trompete (feat.)

Agenor de Lorenzi / teclado

Diogo Ville / teclado

Herbert Medeiros / teclado

Castilhol – Rhodes

Gabriel Grossi – Harmônica (feat.)

Eduardo Farias – piano (feat)

Adalberto Miranda – synth bass / baixo elétrico

Douglas Couto – baixo elétrico

Felipe Pizzutiello – baixo elétrico

Frederico Heliodoro – contrabaixo (feat.)

Dedê Silva – bateria

Daniel Pinheiro – bateria

Dada Costa – percussão

Leo Mucuri – percussão

Tuto Ferraz – percussão

Marcelo de Lamare – guitarra

Zudizilla – voz (feat.)

Bia Ferreira – voz (feat.)

Gabi Câmara – voz (feat.)

Heloá Holanda – voz (feat.)

Tuto Ferraz – mixagem / masterização

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