Em um mês, 300 baleias são flagradas no Litoral Norte; veja as fotos

ONGs e órgãos públicos debatem medidas para proteção dos animais e segurança das embarcações

Escrito por: Meon Redação5 min de leitura
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O número de baleias jubarte avistadas no Litoral Norte este ano já superou o registrado no mesmo período em 2018. Cerca de 300 animais já foram registrados na região até o último domingo (30), de acordo com informações do Projeto Baleia à Vista.

Foram 68 baleias flagradas pela equipe do projeto desde o dia 27 de maio –a maioria dos avistamentos registrados perto do canal entre São Sebastião e Ilhabela. No ano passado, foram 42 animais avistados pelo grupo na região.

Outras 250 baleias foram registradas pela ONG (Organização Não-Governamental) Viva Baleias, Golfinhos e Cia., que este ano instalou um ponto fixo de monitoramento na região.

Os animais aparecem em grupos ou duplas, com frequência cada vez maior, atraindo a atenção de moradores e turistas.

“As baleias estão trazendo para Ilhabela e São Sebastião não apenas uma nova atração turística, mas o despertar de uma nova consciência da população para a necessidade de conhecer e preservar nossa fauna marinha”, disse Julio Cardoso, fundador e diretor do Projeto Baleia à Vista.

As baleias jubarte podem medir até 16 metros e chegam a pesar 40 toneladas.  Anualmente, elas saem da Antártica e nadam 4,5 mil km em direção ao Brasil para reprodução –aqui fazem o acasalamento e dão à luz os filhotes.

A caça às baleias foi proibida no Brasil em 1966, quando havia cerca de 1.000 animais da espécie jubarte, e reforçada por um acordo internacional em 1985. As baleias ainda correm risco de emalhamento em redes de pesca, colisão com embarcações e poluição.

Hoje, segundo o Instituto Jubarte, referência nacional no monitoramento das jubarte (Megaptera novaeangliae), a estimativa é que 20 mil animais utilizem a costa brasileira para reprodução, principalmente entre julho e novembro.

A maior concentração dos mamíferos é na região de Abrolhos, litoral sul da Bahia, considerada a principal área de reprodução das baleias jubarte no Atlântico Sul. Mas elas já são atração turística no Espírito Santo e também na região da Praia do Forte, litoral norte da Bahia.

De acordo com Sérgio Cipolotti, biólogo coordenador operacional do Instituto Baleia Jubarte, uma das principais razões para o aumento dos avistamentos em outros pontos da costa brasileira, inclusive no litoral paulista, seria o crescimento da população desses mamíferos.

Dados registrados pelo instituto apontam que a população das jubarte cresce, em média, cerca de 10% por ano. Os dados são calculados por meio de censo aéreo — último foi feito em 2015 e o próximo deve ser realizado em setembro deste ano.

“Esses animais estão voltando a ocupar as antigas áreas de reprodução, que praticamente é quase toda a costa do Brasil”, disse o biólogo.

Enquanto o crescimento da população das baleias jubarte é comemorado, aumenta a preocupação dos profissionais e entidades de proteção desses animais.

Segundo Sérgio, uma das preocupações com a aproximação das baleias na costa da região sudeste é com a prática de pesca de rede e de esportes náuticos.

As redes podem provocar emalhes ou capturas acidentais, causando danos aos pescadores e lesões na baleia.

“Com relação aos esportes, estamos fazendo uma campanha muito forte. Orientamos que não se pratique nenhum esporte de remo ao redor dessas baleias, é perigoso. Quando não tem ruído do motor, a baleia pode realmente  se aproximar muito e fazer acrobacias que podem ocasionar acidentes graves”, alerta Cipolotti.

Baleia Jubarte no canal de São Sebastião e Ilhabela - Foto: Julio Cardoso/Projeto Baleia à Vista

Prevenção

Entidades, órgãos públicos e iniciativa privada unem forças para tentar garantir a segurança das baleias e das embarcações que navegam pela mesma rota desses mamíferos.

“Queremos criar uma rede, um sistema de alerta. Os navegantes podem utilizar os rádios existentes em quase todas as embarcações para informar a presença dos animais, assim podemos prevenir acidentes”, disse Cardoso.

Segundo ele, entre as medidas de segurança, estão a redução da velocidade e o desengate do motor quando perto dos animais. “Desacelerar a embarcação evita colisões, e o motor desengatado evita estressar o animal com muito barulho, as baleias são muito sensíveis ao som”, explica.

No último dia 23, duas baleias jubarte foram flagradas enquanto nadavam a poucos metros de uma das balsas que fazem a travessia entre Ilhabela e São Sebastião. As embarcações não foram paralisadas pela Dersa, estatal responsável pelo sistema de travessia. Mas a empresa já informou que poderão ocorrer paralisações a qualquer momento no caso de aproximação dos mamíferos.

Oficinas Gratuitas

O Projeto Baleia à Vista promove uma série de oficinas e palestras, neste mês de julho, para conscientização de moradores, turistas, pescadores e navegantes que frequentam a região. As iniciativas terão a participação de representantes do Instituto Baleia Jubarte, referência nacional em monitoramento desses animais.

Em Ilhabela, as ações acontecem entre os dias 9 e 17 de julho durante a 46ª edição da Semana Internacional de Vela.

Em São Sebastião, serão realizadas palestra e oficina sobre observação de baleias no Teatro Municipal, com entrada gratuita, o dia 10 de julho.

A oficina será destinada a pessoas interessadas em operar o turismo náutico de avistagem de baleias em São Sebastião. Serão abordados temas desde a preparação, até o cadastramento e pré-certificação.

Na palestra serão abordados os 30 anos de história do Projeto Baleia Jubarte e a Temporada 2019 no Litoral Paulista.

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