Embraer avalia ampliar participação no programa espacial brasileiro
Empresa analisa a possibilidade de explorar projetos na área de foguetes


Unidade da Embraer em Gavião Peixoto-SP
Flavio Pereira/Meon
A Embraer Defesa & Segurança estuda ampliar sua presença no programa espacial brasileiro e inclui a possibilidade de explorar projetos na área de foguetes. As informações são da FAB (Força Aérea Brasileira).
A meta, segundo o presidente da unidade de Defesa e Segurança da empresa, que fica em Gavião Peixoto-SP, Jackson Schneider, é ter uma empresa integradora na área espacial. “Isso pode incluir desenvolvimento de veículo lançador e de novos satélites”, disse.
A Embraer iniciou seus negócios na área espacial em 2013 com o projeto do SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas), no qual é responsável pela gestão dos fornecedores e do lançador, além da integração dos sistemas.
O satélite é produzido pela francesa Thales Alenia Space que em parceria com a Omnisys, inaugurou em março deste ano, o Centro Tecnológico Espacial, em São José dos Campos. O lançamento do SGDC será feito pela Arianespace, no segundo semestre de 2016 e o custo total do projeto é de R$ 1,3 bilhão.
Para o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, a decisão do governo de romper o acordo com a Ucrânia para o lançamento do foguete Cyclone-4, do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), no Maranhão, certamente abrirá outras perspectivas para o programa espacial brasileiro.
“A Embraer tem demonstrado interesse no nosso VLM (Veículo Lançador de Microssatélites)”, disse o comandante.
O VLM é um dos projetos prioritários do programa espacial. O foguete é desenvolvido hoje em parceria com o DLR (Centro Espacial Alemão) e prevê a participação da indústria nacional desde as primeiras fases de concepção.
“Estamos interessados em avançar na área espacial, o que abre espaço para atuarmos junto aos principais participantes desse processo como a AEB (Agência Espacial Brasileira), FAB (Força Aérea Brasileira) e Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)”, afirma Schneider.
Por meio da coligada Visiona, joint-venture entre a Embraer e a Telebras, o executivo diz que a Embraer pretende ser mais ativa no segmento espacial e elogiou o trabalho que o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) realiza na área de lançadores.
Segundo estudos já feitos por especialistas, o VLM tem um potencial de mercado promissor, tendo em vista que ainda não existe nenhum outro foguete dedicado para atender a essa faixa de mercado (lançamento de cargas úteis de 120 a 150 quilos).
O VLM é um foguete configurado para lançar micro e nanossatélites de sensoriamento remoto, experimentos científicos e com aplicação meteorológica em baixa altitude. Seus concorrentes são foguetes de grande porte, que levam pequenos satélites. Seu custo de lançamento é baixo, inferior a US$ 10 milhões e o desenvolvimento é coordenado pelo IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), que fica em São José dos Campos.
(*Com informações da FAB)
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