Guilherme Boulos: “Empatia não tem partido”
Estamos diante de uma encruzilhada sem precedentes na história do nosso país

“Estamos diante de uma encruzilhada sem precedentes na história do nosso país. As urnas oferecem ao povo brasileiro duas opções tão claras quanto antagônicas. Uma parcela dos brasileiros, porém, ainda está por fazer sua escolha.
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Segundo a última pesquisa Datafolha, 1% do eleitorado não sabe se votará em Lula ou Jair Bolsonaro no próximo dia 30 de outubro. A princípio um número pouco expressivo, esse montante representa quase dois milhões de eleitores que vão decidir o futuro do Brasil.
Neste cenário, mais do que dialogar, precisamos incorporar com firmeza os valores democráticos para possibilitar uma troca de ideias franca, de peito aberto, sobre o que queremos para as nossas vidas, as de nossos filhos e dos nossos netos.
A despeito das diferenças, é preciso atentar àquilo que nos une. Entre erros e acertos, a escolha fundamental envolverá valores comuns a todos nós: respeito, humanidade, empatia. A capacidade de sentir a dor do outro independe de preferência política.
Um Brasil melhor exige, antes de mais nada, que possamos reconstruir a nossa capacidade de nos sensibilizarmos. Não é uma tarefa fácil, sobretudo quando consideramos os exemplos que tivemos ao longo dos últimos quatro anos.
Diante da doença, combateu-se a cura; diante do sofrimento, exaltou-se o desdém; diante da fome, negou-se a existência da miséria. Construiu-se um mundo invertido no qual se justifica a violência em nome da paz, a mentira em nome de uma suposta verdade, a desumanidade em nome do Poder.
Precisamos voltar a ver o absurdo pelo que ele realmente é: absurdo. Mais do que isso, a escolha presidencial envolve ainda um risco real à democracia. Nas últimas semanas, o atual presidente prometeu que, se reeleito, aumentará o número de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Seja qual for a opinião do leitor sobre o STF, a medida terá uma consequência cristalina: transformará Bolsonaro em um ditador, já que permitirá a ele controlar o único órgão com poderes para conter seu comportamento autoritário.
Hoje, aos trancos e barrancos e com inúmeros problemas, a nossa democracia garante direitos básicos ao cidadão: o direito a escolher os nossos representantes, a retirá-los do poder, até mesmo o direito a não participar do processo eleitoral. Somos livres para escolher.
No entanto, caso essa proposta se concretize – e Bolsonaro terá condições políticas de fazê-lo, caso seja reeleito -, nossa liberdade será apenas uma lembrança nostálgica. Esse pode parecer um horizonte distante e abstrato, por isso é importante pensarmos em suas consequências práticas.
Sem freios, a política econômica do atual presidente aumentará ainda mais o preço dos alimentos e a fome, que hoje já atinge 33 milhões de brasileiros. Sem freios, a política de preços da Petrobras pode fazer o litro da gasolina passar dos R$ 10,00, como já preveem diversos analistas, conscientes de que a atual queda é eleitoreira e será revertida após o dia 30 de outubro.
Sem freios, a política armamentista deste governo fará cenas como a dos massacres em escolas americanas se tornarem rotineiras também aqui no Brasil. Na verdade, isso já está acontecendo: o caso mais recente, em 5 de outubro, teve um adolescente de 15 anos atirando contra três estudantes em uma escola no Ceará.
Ao votar no dia 30 de outubro, vale refletir sobre essas e outras questões, de modo a responder uma pergunta simples: que país queremos? A decisão é de todos nós.
Guilherme Boulos, 40, foi eleito deputado federal nas eleições legislativas de 2022 com mais de 1 milhão de votos, a maior votação do Estado de São Paulo.”
Fonte: Guilherme Boulos, deputado eleito mais votado de SP
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