Encontro discute obra gráfica dos livros de Monteiro Lobato no Sesc

Além da literatura, autor ajudou a revolucionar mercado editorial infantil

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Ilustrações coloridas eram exigência do autor taubateano em sua obra

Divulgação

Mais do que o inventor do Sítio do Pica-Pau Amarelo e todos os seus personagens fantásticos, Monteiro Lobato foi também um visionário que mudou conceitos editoriais principalmente para os livros infantis. Já nos anos 20, o taubateano irritava-se com as modorrentas capas clássicas, que pouco traziam de atrativo para a criançada.

E esta faceta gráfica da obra de Lobato será o tema do encontro “Lobato, os livros e as figuras”, que acontece nesta terça-feira (8), às 19h30, no Sesc São José dos Campos. O evento será ministrado pelo idealizador da mostra “Ilustradores de Lobato”, Magno Silveira. A exposição reúne obras de diferentes ilustradores que fizeram parte dos livros de Monteiro Lobato e segue no Sesc.

“Vamos falar rapidamente do Lobato escritor, só para situar todo mundo, mas o legal mesmo do encontro será trabalhar essa parte gráfica que foi fundamental para que a obra do escritor ganhasse força entre as crianças em uma época na qual as editoras não davam muita bola para isso”, explica.

A obsessão do autor pela qualidade de seus livros era tanta que, já na década de 1930, Lobato era dono do seu próprio parque gráfico. De acordo com as pesquisas de Silveira, o taubateano reunia máquinas top de linha que, já naquela época, produziam livros com cores chamativas.

“Ele se importava muito com a venda desses títulos. Nesta pesquisa que fiz sobre o trabalho gráfico em seus livros, notei que a relação do autor com os desenhistas era bastante próxima. Era vizinho de mesa do Belmonte (um dos principais ilustradores na obra do escritor) e, segundo consta em alguns arquivos, pedia para que as capas tivessem cores berrantes para chamar a atenção nas prateleiras”, comenta.

Em um dos episódios com os cartunistas de seus livros, há uma carta enviada a Lobato, na qual um leitor pede para ser desenhado em uma das obras. Após atender o pedido no livro “O Circo do Escavalinho”, o autor ainda respondeu a carta em simpático tom de brincadeira com Belmonte. “Olha, a Emília anda reclamando que o Belmonte não anda desenhando mais tão bem”, brincava na carta.

Artistas
Durante o encontro com o idealizador da mostra, Magno Silveira ainda abordará a evolução das ilustrações dentro da literatura e como os ilustradores que trabalharam com Monteiro Lobato seguiram suas carreiras anos depois.

O encontro é gratuito e acontece no auditório do Sesc. A retirada dos ingressos deve acontecer uma hora antes do início do evento.

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