‘Encontros na mantiqueira’, um distrito unido pela literatura
População banca evento após cancelamento de Festival da Mantiqueira


Evento substitui o “Festival da Mantiqueira”, cancelado este ano
Divulgação
O primeiro “Encontros na Mantiqueira” começa só nesta sexta-feira (17), mas já é um sucesso. O evento literário de São Francisco Xavier substitui o “Festival da Mantiqueira”, extinto após oito edições pelo Governo do Estado, e tem, na participação da comunidade, seu maior triunfo.
O encontro começou a tomar forma em fevereiro, quando foi oficializado o fim do “Festival da Mantiqueira”. De lá para cá, foram pouco menos de quatro meses de encontros e trabalho pesado para viabilizar o novo festival. Se não deu para manter a grife do evento anterior, a apropriação da comunidade foi a grande responsável pela realização do encontro.
Sem verbas de órgãos públicos, a organização contou com o boca a boca para convencer bons nomes da literatura contemporânea a formar as oito mesas de debates literários do evento. Além dos escritores, a população do município também teve grande parcela de envolvimento nos bastidores para que o evento saísse do papel.
“Tudo foi feito com a ajuda de voluntários, todos os escritores estão vindo gratuitamente. O dinheiro que utilizamos veio de um fundo de arrecadação no qual os próprios moradores e pessoas que se mobilizaram em prol do evento fizeram doações. Além disso, por meio de doações de mantimentos, conseguimos garantir mais de mil refeições aos voluntários, que serão servidas no centro paroquial”, explica o médico aposentado Auro Lúcio Silva, que mora há 27 anos no distrito e integra a comissão organizadora do evento.
Participação
De acordo com Silva, uma das maiores preocupações do evento é promover uma inclusão dos moradores locais, investindo em parcerias com escolas e incentivando a participação dos moradores.
“Essa nunca foi uma prioridade para o evento anterior. O que a gente via aqui era quase que um aluguel da cidade, sem uma contrapartida para a população do distrito, que sempre ficou muito inibida em participar. Desta vez, teremos programação dentro das escolas, além de oferecer qualificação para os professores da rede pública. O objetivo é que as pessoas se apropriem da festa e não tenham vergonha de participar”, comenta.
Nomes
Com pouco tempo e pouco recurso para a organização, o evento conseguiu reunir nomes relevantes em sua programação. Esta primeira edição tem como destaques a jornalista Daniela Arbex, cujo livro “Holocausto Brasileiro” é um sucesso de vendas e de crítica – considerado o melhor livro-reportagem de 2013 pela Associação Paulista de Críticos de Arte –, o vencedor do prêmio Jabuti, Audálio Dantas, e Estevão de Azevedo, vencedor do Prêmio São Paulo de literatura 2015 por seu romance “Tempo de Espalhar Pedras”.
O festival segue até o domingo (19). A programação completa pode ser consultada por meio do site do encontro.
Posts Relacionados

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai

Novo tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor
