Entenda porque a UFRJ pode fechar
Depois de vários cortes no orçamento da UFRJ, reitora expõe o futuro instável da universidade

No dia 30 de abril de 2019, o então ministro da educação, Abraham Weintraub, anunciou um corte de 30% na verba de todas as universidades federais do país. O motivo dado pelo ex-ministro foi que “universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia terão verbas reduzidas”, completou dizendo que “a universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”.
Alguns meses depois do corte, as universidades precisaram cortar todas as despesas discricionárias – não obrigatórias – o que inclui contas de água, luz, obras, bolsas acadêmicas, equipamentos para realização de pesquisas e outras coisas que estavam ‘sobrando’.
Depois de muito tempo sobrevivendo com o mínimo, uma faculdade finalmente pode cair. A reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, disse em um artigo publicado no dia 06 de maio no jornal O Globo que, caso não receba a verba necessária até julho, a universidade irá fechar as portas e parar o trabalho secular de ensino, pesquisa e ajuda ao Brasil inteiro.
No artigo, Denise e Carlos Frederico Leão Rocha, vice-reitor e co-autor do texto, abordam a ajuda fornecida pela universidade no combate à pandemia e expõem as condições desfavoráveis em que ficaram após aumentarem as vagas universitárias, realizarem pesquisas importantes, como a conduzida durante a epidemia de zika, e terem perdido 62% da verba que tinham em 2012, há mais de 8 anos.
Segundo o orçamento do Governo Federal, no ano de 2012, a universidade recebeu cerca de 773 milhões de reais e, em 2021, a verba caiu para 299 milhões. Somando o bloqueio de 18,4% da verba aprovada, ou seja, a verba que já havia sido ‘prometida’ para a faculdade, a UFRJ tem aproximadamente R$ 244 milhões para ministrar aulas para quase 68 mil estudantes, fazer inúmeras pesquisas, cuidar de sete museus e 43 bibliotecas, administrar os nove hospitais e centros de saúde e produzir duas vacinas contra a COVID-19.
Quando Dom João VI fundou o que viria a ser a UFRJ, nunca imaginaria que depois de 213 anos, sua obra poderia cair. A terceira melhor universidade do Brasil, 12° na América Latina, 380° no mundo inteiro, está correndo grave risco de fechar, tudo porque a educação está sofrendo uma desvalorização nos últimos anos.
Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Meon Jovem.
1º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.
