Equipe eleva índices de doação de órgãos no HM de São José

Na última quarta-feira (8), um transplante de órgãos de um garoto de 5 anos, realizado no Hospital Municipal de São José dos Campos, ajudou a salvar a vida de quatro crianças em diferentes regiões do país. Este tipo de situação vem se repetindo com mais freqüência no hospital graças a uma equipe multidisciplinar que atua justamente para esclarecer as famílias sobre a importância da doação de órgãos.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Só em 2014, foram realizadas dez doações de órgãos no Hospital Municipal, em São José dos Campos. A última foi na quarta-feira (7), a retirada dos órgãos de um menino de 5 anos ajudou a salvar a vida de outras quatro crianças. O ano não está nem na metade e o número de doações só aumenta. Em 2011, foram sete. Em 2012, oito. No ano passado, treze. E graças a uma equipe multidisciplinar que atua justamente para esclarecer as famílias sobre a importância da doação. Trata-se da Comissão Intra Hospitalar para a Doação de Órgãos, grupo criado em 2011, que atua para aumentar os índices de doação no Hospital Municipal.

Chefiada pelo neurologista Rogério Xavier, a equipe entra em ação quando o paciente apresenta morte cerebral decretada e possui as condições necessárias para que seus órgãos sejam aproveitados. A partir daí, os profissionais conversam com a família, em um trabalho de esclarecimento sobre a diferença que os órgãos podem fazer para a qualidade de vida de um paciente que necessita do transplante.

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Médicos realizam transplante na última quarta-feira (8) no HM de São José

Claudio Capucho/ PMSJC

“Apesar de sermos favoráveis ao transplante, nossa equipe não faz um trabalho de convencimento, mas sim de esclarecimento. Conversamos com os familiares e ajudamos a tirar duvidas que ainda possam ocorrer em um momento tão difícil quanto esse. O importante é que tudo seja realizado da maneira mais humana possível, respeitando a dor da perda de um ente querido”, afirma Xavier.

De acordo com a superintendente de enfermagem Vania Cristina Dias, também membro da equipe, é preciso que o profissional tenha sangue frio para lidar com as situações da maneira mais adequada possível. A enfermeira destaca que trabalhar na equipe significa viver um misto de emoções.

“Quando há uma doação de órgãos, é evidente que daremos uma notícia fantástica para o paciente que aguarda na fila enquanto a outra família está em um momento de dificuldade. É preciso administrar isso”, afirma.

Entretanto, ajudar a salvar a vida, mesmo que de uma pessoa desconhecida, normalmente serve como um conforto para aqueles que sofreram a perda. “Pela experiência dos últimos anos, posso afirmar com certeza que todas as famílias que autorizam a doação acabam aceitando melhor a perda”, diz.

Rapidez
Depois que uma doação de órgãos é confirmada, dá-se início a uma operação ágil para que tudo saia como o combinado. A equipe consulta a lista de espera e entra em contato com os pacientes que possuem compatibilidade.

“Depois disso uma equipe médica vem para o hospital e o procedimento de retirada dos órgãos é iniciado. O transporte tem que ser rápido para que o órgão continue apto para ser utilizado no transplante. O coração, por exemplo, tem o tempo de quatro horas entre a retirada e a realização do transplante”, comenta Xavier.

Todo esse trabalho, portanto, seria bastante facilitado caso as pessoas manifestassem seu desejo em tornar-se doador. Quem pretende doar os órgãos não precisa documentar a decisão, mas sim deixar claro aos familiares esse desejo.

A doação de órgãos é um ato pelo qual se manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

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