Escritora Rita Elisa ministra palestra sobre importantes mulheres
Mulheres brasileiras Divulgação Quebrar paradigmas de memórias construídas, pesquisar exaustivamente, preservar e reconstruir biografias de importantes mulheres brasileiras. Esse foi o trabalho da escritora, fotógrafa e jornalista Rita Elisa Seda. De um jeito doce e bem feminino, mas com uma firmeza de rocha, Rita Elisa apresenta palestra nesta terça (8), em comemoração ao Dia da […]


Mulheres brasileiras
Divulgação
Quebrar paradigmas de memórias construídas, pesquisar exaustivamente, preservar e reconstruir biografias de importantes mulheres brasileiras. Esse foi o trabalho da escritora, fotógrafa e jornalista Rita Elisa Seda.
De um jeito doce e bem feminino, mas com uma firmeza de rocha, Rita Elisa apresenta palestra nesta terça (8), em comemoração ao Dia da Mulher, às 19h, na Biblioteca Cassiano Ricardo, com entrada gratuita.
No evento ela contará um pouco da vida de três mulheres: Francisca de Paula de Jesus – Nhá Chica, Anna Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas – Cora Coralina e Benedicta Rezende Graciotti – Eugênia Sereno. “Tenho me curvado a essas três mulheres brasileiras que tanto estudei, pesquisei e biografei. Elas me ajudam a seguir pela vida enfrentando os problemas, sonhando e realizando”.
Nhá Chica – Rita Elisa contará um pouco dos trabalhos que realizou ao biografar a vidas dessas mulheres. A começar por Nhá Chica, que segundo dados da escritora, apesar de viver mais de 70 anos na cidade de Baependi, a personagem ultrapassou fronteiras e chegou ao mundo com o título de Bem Aventurada, em maio de 2013. Filha de ex-escrava, atendeu pobres e ricos sem distinção: “de sua panelinha de ferro, na trempe do fogão à lenha, jamais deixou faltar comida para os pobres”, conta.
Nos estudos de Rita Elisa, Nhá Chica tinha o dom da profecia e, por isso, desde a família imperial até o mais humilde agricultor, sempre a consultava e ela jamais errou. Doou toda sua riqueza, não se ingressou a uma instituição religiosa e foi leiga a vida toda. Conforme a própria personagem profetizou, ao falecer seu corpo ficaria três dias exposto, com aroma de santidade, e assim foi.
Cora Coralina – Outra personagem pesquisada intensamente foi Anna Lins, mais conhecida como Cora Coralina. O livro Raízes de Aninha, de autoria de Rita Elisa, pode se conhecer uma mulher que aos 16 anos de idade já escrevia crônicas que eram publicadas nos periódicos do Rio de Janeiro e na cidade de Goiás.
A figura da senhora Cora Coralina, não correspondia ao de uma mulher pacata. “Ela foi audaciosa, lutando pelo seu amor e fugindo com Cantídio Brêtas (advogado – desquitado) para a cidade de São Paulo”, revela.
Cora Coralina era tão ativa que, várias vezes, no lugar de Cantídio, atuou na defesa de um cliente perante o tribunal. Ela ajudou a construir o asilo de Jaboticabal e em Penápolis, já viúva, ingressou à V.O.T.P Venerável Ordem Terceira de São Francisco, recebendo o hábito e passou a chamar-se Irmã Conceição.
Rita Elisa descobriu ainda que Coralina criou a Associação Comercial Penapolense, sendo eleita oradora da entidade onde 98% homens. Em Andradina administrou o sítio Casinha Branca e suas ideias vanguardistas eram tantas que concorreu ao cargo de vereadora. Cora foi bem mais do que poetisa; ela foi cronista, contista, folclorista, doceira, religiosa, política, ambientalista, florista, comerciante e, acima de tudo: filha, irmã, esposa, mãe, avó e bisavó!
Eugênia Sereno – Nas dobras da Mantiqueira que, de acordo com Rita Elisa, “teceram o dom literário de Eugênia Sereno” nasceu, em São Bento do Sapucaí, Eugênia. Ela apresentou ao Brasil uma forma diferenciada de romance e ganhou o prêmio Jabuti 1966, como Autora Revelação.
Por décadas escreveu e reescreveu “O Pássaro da Escuridão”, onde permeia o folclore sambentista com a saga de Sr. Badaró. A grandiosidade de Eugênia vai além do romance, conforme relata Rita, sua obstinação em escrever diariamente era uma verdadeira luta para tentar superar seu Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) de se lavar, por medo de contaminação.
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