Cidade Inteligente: 255 anos de São José dos Campos

Cidade passou por rigoroso processo de avaliação de serviços e estruturas de secretarias municipais

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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São José dos Campos foi certificada em 16 de março deste ano como Cidade inteligente. Um feito para poucas no mundo e único no Brasil. Para conquistar o título a cidade passou por uma complexa e rigorosa avaliação. Para compreender esse processo, é preciso retornar ao ano de 2014. A World Council on City Data (WCCD) foi fundada no Canadá. Nunca houve tradução oficial para a organização no Brasil, mas podemos chamá-la de “Conselho Mundial de Dados da Cidade”. Este órgão ligado às Nações Unidas (ONU) teve início com um propósito bem específico: ajudar cidades e comunidades de todos os tamanhos a adotarem certos dados padronizados pela ISO (sigla em inglês para Organização Internacional de Padronização) e, assim, poderem se comparar globalmente. Uma vez que os requisitos são preenchidos, a cidade passa a ter uma base de dados de grande qualidade, o que permite um melhor direcionamento dos governantes nas tomadas de decisões.

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A WCCD desenvolveu três padrões internacionais para garantir os melhores dados sobre as cidades. O ISO 37120 corresponde aos dados de possíveis Cidades Sustentáveis. Já o ISO 37122 diz respeito às Cidades Inteligentes e o ISO 37193 aponta para Cidades Resilientes. Ou seja, para obter a certificação, a cidade precisa demonstrar que possui uma determinada base de informações sobre serviços urbanos e fatores sociais e de qualidade de vida (são 276 indicadores).

Ter este reconhecimento coloca São José em posição de destaque no Brasil e no mundo. Para o secretário municipal de Inovação e Desenvolvimento Econômico da cidade, Alberto Alves Marques Filho, conhecido como Mano, um ponto muito importante é a capacidade de negociação da cidade. De acordo com o secretário, o reconhecimento gerado pela certificação coloca o município no radar dos grandes investimentos. “Uma certificação como essa abre portas e o município começa a ser considerado [pelas empresas nacionais e internacionais] como local de um possível futuro investimento”, pontuou Mano.

Amaury Acatauassú, Head de Novos Negócios do Parque Tecnológico de São José dos Campos, listou uma série de benefícios da certificação para a cidade. Para ele, a certificação também impulsiona o desenvolvimento econômico com dados comparativos globais, mede o desenvolvimento urbano sustentável e informa os investimentos em infraestrutura com resultados mensuráveis. “A certificação facilita a troca de informações e projetos através do compartilhamento de informação podendo gerar o aprendizado de umas com as outras ao permitir comparação por meio de uma vasta gama de medidas de desempenho”, disse Amaury Acatauassú.

Além dos fatores de negociação futuras de mercado, tanto Amaury quanto Mano afirmam que os dados levantados ajudam a identificar pontos de investimento na cidade e ressaltam as iniciativas tecnológicas que já são adotadas pelo município. “Do ponto de vista de quem mora aqui, dos munícipes, é isso que interessa, que a Prefeitura tenha acesso a dados objetivos. São 276 indicadores e a gente consegue olhar pra cada um desses indicadores e ver se a cidade está ou não está atendendo, ou se está atendendo minimamente, ou se está atendendo plenamente, e aí acaba se tornando um mapa estratégico, para que o prefeito possa decidir em quais setores investir”, disse o secretário. Ele explica, por exemplo, que um dos indicadores refere-se ao cuidado que o município tem com a água e que a prefeitura levantou os dados com a Sabesp. “Esse tipo de coisa faz de uma cidade um ambiente melhor, mais moderno, mais avançado, mais seguro, mais limpo e melhor para se viver”, disse Mano.

“[A certificação] é o coroamento do trabalho de diversas administrações que vem construindo uma cidade diferente. Uma cidade mais humana, com muita qualidade de vida, oferecida com atributos muito bem cuidados de zeladoria, de gestão, sistemas que funcionam, sistemas de educação, saúde, segurança…é a coroação de tudo isso. Porque os indicadores, no final das contas, avaliam justamente isso”, concluiu o secretário.

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