Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de SP
Ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo é alvo de mandado de prisão em operação que também cumpre 18 mandados de busca e apreensão

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, do União Brasil, é alvo de um mandado de prisão em uma operação deflagrada nesta quinta-feira (17) que investiga uma suposta infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
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A Operação Vectura Corrupta é realizada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo. Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.
Segundo as investigações, Milton Leite é citado nominalmente como responsável direto pela operação de algumas empresas que, de acordo com o Ministério Público, seriam controladas pela facção.
A investigação também reúne declarações de policiais militares em procedimento no Tribunal de Justiça Militar que apontam o ex-vereador como suposto dono de fato da empresa Transwolff. A informação consta dos elementos citados pelo Ministério Público e não representa, por si só, uma conclusão judicial definitiva.
Trajetória política
Aos 70 anos, Milton Leite deixou a vida pública eletiva após 27 anos como vereador de São Paulo.
Paulistano, nasceu e cresceu na região de Piraporinha, na zona Sul da capital. Chegou à Câmara Municipal em 1997 e foi reeleito em 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020.
Nas eleições de 2016 e 2020, foi o segundo vereador mais votado do país. Em 2020, segundo a Câmara Municipal, recebeu mais de 132 mil votos.
Milton Leite presidiu a Câmara Municipal de São Paulo seis vezes. A primeira gestão ocorreu entre 2017 e 2018. Depois, voltou ao comando da Casa em 2021 e permaneceu na presidência até o encerramento de sua atuação como vereador, em 2024.
Atualmente, também ocupa a presidência municipal do União Brasil em São Paulo.
Investigação sobre o transporte
A Operação Vectura Corrupta investiga a possível atuação do PCC no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo de passageiros em São Paulo seriam controladas direta ou indiretamente pela organização criminosa. A investigação aponta ainda o uso de empresários e pessoas interpostas para administrar formalmente empresas que estariam sob influência da facção.
Milton Leite aparece entre os alvos da operação e é citado nas investigações como responsável pela operação de empresas ligadas ao esquema. O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira também é alvo de mandado de prisão.
A apuração é um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024. Segundo as investigações, a apuração também identificou suspeitas relacionadas à atuação política e ao financiamento de campanhas eleitorais.
Milton Leite diz que está em viagem
Em posicionamento divulgado nesta quinta-feira, Milton Leite afirmou que está em viagem e que não está foragido. Ele disse ainda que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas e que vai provar sua inocência.
Outro lado
Posicionamento de Milton Leite
O ex-vereador Milton Leite afirmou que não está foragido, mas sim em viagem. Ele ainda disse que se apresentará às autoridades em até 24 horas e provará inocência. Veja a nota na íntegra:
“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas.
Vou provar minha inocência em todas as acusações.”
Posicionamento Danilo Morgado (PL)
“Meses atrás Danilo foi alvo de um processo onde se pedia sua prisão, movido pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão.
Na época, o motivo do pedido de prisão foram vídeos publicados por Danilo, denunciando supostas licitações ligadas ao PCC dentro da prefeitura de Praia Grande, ou seja, Danilo trouxe a tona a mesma denuncia feita pelo delegado Dr. Ruy Ferraz Fontes.
Agora, em plena campanha eleitoral, e um dia antes da data que proíbe prisão de candidatos, Danilo é preso.
A sequência dos fatos fala por si.
O coronel nunca muda seu modo de agir: intimida e tenta calar quem não se curva.
Prenderam Danilo, mas despertaram milhares.
Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve.
O que não dá pra engolir é a forma que aconteceu: às vésperas da eleição, numa prisão que temos motivo para considerar irregular.
Isso não é investigação, é perseguição.”
Posicionamento da Prefeitura de SP
“A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça.
Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.”
Posicionamento de ex-presidente da SPTrans
“O escritório Fernando José da Costa Advogados, que representa o Dr. Levi dos Santos Oliveira, foi surpreendido, na manhã desta quinta-feira, com a notícia de sua prisão. Levi dos Santos Oliveira, primário e sem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área. A defesa ainda não teve acesso aos autos, nem às circunstâncias que fundamentaram a medida. Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação.”
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