Estudantes de São José sabatinam candidatos a prefeito

Antenados, jovens esperam fazer a melhor escolha por uma cidade melhor

Escrito por: Murilo Cunha3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
shakespeare_sabatina_alunos_coc_gabriel_amador_santos

Grupo entrevista o candidato Shakespeare Carvalho

Gabriel Amador Santos/COC

“Política, religião e futebol não se discutem”.  O dito popular ilustra uma situação que o brasileiro conhece bem: a falta de interesse de parte da população pela política. Mas em São José dos Campos, alunos de ensino médio de uma escola particular fugiram do estereótipo e realizaram, eles próprios, uma série de sabatinas com os candidatos a prefeito da cidade.

Começou como mais uma tarefa indesejada, mas alguns deles garantem que passaram a se interessar de verdade pelo assunto. O professor responsável, Rafael Tercini, conta que o trabalho sobre política já faz parte de sua disciplina há alguns anos, e que o período de eleições municipais foi a deixa para poder mandar os estudantes “irem a campo”.

“A reação deles, a princípio, foi de não querer fazer. Infelizmente, a gente percebe que tem uma cultura de demonização da política. Há uma necessidade de criar a consciência nos jovens sobre a importância disso para a vida deles”, explica o professor.

O colega Daniel Batista, também de 16 anos, concorda. “Quando se diz ‘política’, as pessoas já pensam logo em corrupção. Se você disser para alguém que quer ser político, a pessoa já pensa que vai ser mais um corrupto”, argumenta o estudante, que apesar de tudo, afirma querer ser candidato a algum cargo no futuro.O estudante Victor Hugo Rodrigues, de 16 anos, admite que estava no grupo dos desinteressados. “Nunca me interessei muito pelo assunto, não. Mas surgiu esse trabalho, e eu tenho que acompanhar porque vou votar”, diz. Para ele, a corrupção é o principal fator que afasta as pessoas do tema.

“Eu já frequento as sessões [na Câmara Municipal], gosto de estudar as leis. Se eu fosse político, gostaria que as pessoas olhasse para mim e tivessem o mesmo desejo de mudar a situação do país”, garante.

A tarefa foi dividida em duas partes: na primeira, os estudantes tiveram contato com autores clássicos como Maquiavel e Hobbes. Na segunda, “arregaçaram as mangas” e entrevistaram os seis candidatos à Prefeitura da cidade, além de três candidatos a vereador.

Os temas das perguntas foram variados: propostas para a mobilidade urbana, incentivo ao primeiro emprego, combate à corrupção e direitos das minorias estiveram em pauta. A aluna Beatriz Gonçalves, uma das mediadoras das sabatinas, acredita que o jovem deve lutar por si mesmo se quiser ter seus direitos respeitados. “Se ele não sabe o que é a política e o que ela envolve, ele nunca vai conseguir nada”, afirma.

Publicado em: