Estudantes do ITA iniciam projeto para diminuir ruído de aeronaves

Estudo é orientado por pesquisadores do CeMEAI, sediado na USP

Escrito por: Do Meon*3 min de leitura
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Estudantes do ITA iniciam projeto para diminuir ruído de aeronaves

Flavio Pereira/Meon

Os estudantes do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e pesquisadores do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), de São José dos Campos, Sami Yamouni e Carlos Junqueira Júnior, iniciaram um estudo com o objetivo de diminuir o ruído gerado pelas turbinas de aviões e de motores foguete.

A pesquisa é coordenada por João Luiz Azevedo, chefe da Divisão de Aerodinâmica (ALA) do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), e por William Wolf, professor da FEM (Faculdade de Engenharia Mecânica) da Unicamp. Os dois são pesquisadores do CeMEAI (Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria).

“Existem vários aeroportos no meio de cidades. O pessoal que mora na região se incomoda com o barulho e esses aeroportos começaram a colocar algumas restrições de emissão de ruídos. As indústrias que produzem aviões tiveram que prestar mais atenção nisso e nosso trabalho se enquadra nessa área”, conta Júnior.

O ruído originado nas turbinas e nos motores foguete é consequência do escoamento do jato que emana destes dispositivos. “A dinâmica do escoamento do fluido cria fontes acústicas como resultado de flutuações de pressão nesse escoamento”, explica Júnior.

A partir desse ruído que se origina nas turbinas ou nas tubeiras de motores de foguetes, dois campos de estudo se completam para analisar a propagação do ruído: a aerodinâmica, que estuda a fonte – no caso, as flutuações de pressão no escoamento nas turbinas e no jato dos motores foguete – e a aeroacústica, que busca prever o comportamento do som a distâncias grandes – como, por exemplo, a de um aeroporto até as casas próximas.

“A aerodinâmica é uma disciplina muito antiga. A aeroacústica surgiu na década de 50 e, sem a aerodinâmica, a aeroacústica não existe”, analisa Yamouni.

A ferramenta computacional desenvolvida pelos pesquisadores ainda está sendo aprimorada, mas é capaz de simular o comportamento do ruído nas turbinas de aeronaves simples, que já foram testadas em outros estudos. A ideia é torná-la capaz de simular veículos mais complexos.

“Vamos implementar novos conceitos na pesquisa para tentar entender melhor a dinâmica e a física do jato e o ruído gerado por ele”, observa Yamouni. “Vamos entregar uma ferramenta que foi comparada com a literatura. Ela consegue fazer computação paralela, ou seja, conseguimos usar com eficiência todo recurso computacional disponível no cluster do CeMEAI. Ela poderá ser usada para estudar outras configurações de jatos e validar estudos”, assegura Júnior.

(* Com informações do CeMEAI)

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