Ex-aluna faz nova denúncia de abuso na Unesp de São José dos Campos
Declaração foi dada nas redes sociais após o surgimento de uma outro relato na semana passada

A repercussão da denúncia feita pela ex-aluna Carolina Ferreira, de 21 anos, sobre um suposto estupro cometido por um professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São José dos Campos, ganhou novos desdobramentos após o surgimento de outro relato envolvendo abuso dentro da mesma instituição.
A nova denúncia foi feita pela cirurgiã-dentista Bárbara Hatje, formada pela universidade, que afirmou que o caso divulgado recentemente seria “a ponta do iceberg”. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela relatou ter sofrido abuso por parte de um professor durante sua trajetória acadêmica.
Segundo Bárbara, o episódio ocorreu dentro de um laboratório, na presença de outros alunos, quando o docente teria tocado seu corpo sem consentimento. Ela afirma que, na época, não conseguiu reagir, mas que posteriormente passou a compreender a gravidade da situação. A profissional também relatou ter enfrentado perseguição acadêmica após o ocorrido, incluindo ameaças de reprovação, além de outros episódios de assédio ao longo da graduação e pós-graduação.
O novo relato surge poucos dias após Carolina Ferreira tornar público seu caso. A ex-aluna afirma que foi vítima de estupro em 2023, quando tinha 18 anos e cursava odontologia na unidade da Unesp em São José dos Campos. De acordo com o relato, o crime teria ocorrido após ela aceitar uma carona oferecida por um professor ao sair da universidade.
Carolina diz que, após o episódio, passou a sofrer ameaças e desenvolveu crises frequentes, o que impactou diretamente sua permanência no curso. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise”, relatou. Ela acabou trancando a matrícula e afirma que não pretende seguir na área devido ao trauma.
A estudante também aponta falta de acolhimento institucional. Segundo ela, ao procurar a universidade, não encontrou o suporte necessário. Por medo e pela condição emocional, não formalizou denúncia na época.
A repercussão dos casos mobilizou entidades estudantis e incentivou outros relatos dentro da comunidade acadêmica, levantando questionamentos sobre a segurança no ambiente universitário e a efetividade dos canais de denúncia.
Em nota, a Unesp afirmou que repudia qualquer forma de assédio e destacou que possui mecanismos para acolhimento e apuração de denúncias, com garantia de sigilo. A instituição também informou que investiga formalmente todos os casos que chegam ao seu conhecimento.
Os casos seguem em apuração e podem ter novos desdobramentos conforme mais informações venham à tona.
NOTA OFICIAL DA UNESP:
A Direção do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), Campus de São José dos Campos da Unesp, informa que tem acompanhado, com atenção e responsabilidade, as manifestações organizadas por estudantes, motivadas por relatos de situações de assédio.
Reiteramos, de forma enfática, nosso firme repúdio a qualquer forma de assédio e reafirmamos o compromisso permanente com a promoção de um espaço acadêmico seguro, respeitoso e acolhedor para toda a comunidade.
Solidarizamo-nos com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de desrespeito e abuso. Informamos que a Universidade dispõe de canais institucionais adequados para acolhimento, orientação e encaminhamento dessas ocorrências, garantindo tratamento com sigilo, imparcialidade e possibilidade de anonimato.
As denúncias podem ser formalizadas por meio da Ouvidoria Geral da Unesp, Ouvidoria Local e Direção da Unidade. Desde o último dia 30 de abril, a Direção do ICT já providenciou a abertura de dois Processos de Apuração Preliminar (PAD) para averiguação dos episódios que tiveram registro na Ouvidoria.
Ressaltamos que todos os casos devidamente registrados são apurados, em conformidade com as normas institucionais e a legislação vigente, com a adoção das providências cabíveis. No âmbito do acolhimento, a Universidade disponibiliza suporte por meio de seus programas institucionais e conta com equipes técnicas capacitadas para atendimento presencial. No entanto, se não houver a formalização da denúncia, a Universidade não dispõe de meios para apurar institucionalmente os episódios narrados.
No que se refere às manifestações estudantis, reconhecemos o direito legítimo de expressão e mobilização. Destacamos, contudo, a importância de que esse momento seja conduzido com serenidade e respeito. A Universidade é, acima de tudo, um espaço de diálogo e formação cidadã.
A Direção do ICT permanece à disposição para informações adicionais, reiterando seu compromisso com a integridade, o respeito mútuo e a convivência ética.
Atenciosamente,
Direção do Instituto de Ciência e Tecnologia / Campus de São José dos Campos da Unesp Assessoria de Comunicação e Imprensa (ACI), em 4 de maio de 2026
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