Exercício em jejum funciona mesmo? Veja a opinião de quatro especialistas

A moda de praticar exercícios em jejum vem crescendo e, a Ticiane Toledo, do Blog Vida Fit, conversou com alguns especialistas para saber a opinião deles sobre isso

Escrito por: Ticiane Toledo5 min de leitura
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A moda de praticar exercícios em jejum vem crescendo e, a Ticiane Toledo, do Blog Vida Fit, conversou com alguns especialistas para saber a opinião deles sobre isso.

André Santos, coach na GO Assessoria Esportiva
Não adianta começar do nada, simplesmente decidir de um dia para o outro cortar a alimentação pré-treino e ir treinar em jejum. Se a pessoa optar por fazer o AEJ, o ideal é que a redução de alimentos ingeridos x aumento do tempo ou intensidade do seja gradativo. E mesmo assim não acredito que seja a solução ideal para todo mundo que queira emagrecer. É uma adaptação muito natural, assim como os resultados também vão variar de pessoa para pessoa e de acordo com a rotina de treinos e a alimentação de cada indivíduo também. Se a pessoa quiser fazer um aeróbico em jejum, o ideal é que ela garanta uma reserva de glicogênio (ou seja: consumindo carboidratos na refeição da noite anterior) para conseguir se sustentar durante a prática sem que isso gere mais ônus do que bônus.
O AEJ é válido para quem acredita nele, faz com acompanhamento devido ou com o mínimo de estudo sobre o assunto e realmente necessita de uma performance em determinada fase do treinamento para atingir um objetivo muito específico que já foi pré-determinado. Mas para pessoas comuns, eu não recomendo porque não há nada que comprove cientificamente a eficácia em atletas amadores e muito menos em pessoas que desejam abandonar o sedentarismo e já pensam em começar por esse caminho.
Acredito mais em resultados quando a pessoa alia uma alimentação adequada a treinamentos intervalados de alta intensidade (HIIT) do que no AEJ por si só.”

Elisa Pritsopoulos, especializada em Fisiologia do Exercício
Quando acordamos, estamos praticamente sem glicose na corrente sanguínea, uma vez que estamos, em média, de 6 a 10 horas sem ingestão de alimentos. Por isso a necessidade de um café da manhã energético, para repor os baixos níveis de glicose circulante, e consequentemente, ter energia para fazer exercícios.
Uma pessoa bem treinada, tanto aerobiamente, quanto em exercícios de resistência muscular, tem uma grande capacidade de manter os estoques de glicogênio, ácidos graxos e triglicerídeos intramuscular (aqueles vindos do fígado), o que significa que, se essa pessoa fizer AEJ, terá boas condições de se manter em homeostase (equilíbrio) desde que mantenha uma intensidade baixa, e a duração do exercício não passe de 45 minutos. Mas uma pessoa que não está bem condicionada, ao praticar o AEJ, poderá ter sérios danos no organismos, podendo ocorrer ocorrer tonturas, náuseas, vômitos e até desmaios. Sem benefícios fisiológicos.
Então, se você não é um atleta de alta performance em semana de treinos fortes, nem uma pessoa extremamente bem treinada, o AEJ não é indicado, pois os malefícios de sobrecarga do organismo são altos, em troca de pouca adaptação fisiológica. A maioria da população que frequenta academias, faz em média 4 horas semanais de exercícios, em intensidade moderada, o que não é caracteriza como exercício de alto rendimento.


Felipe Barreto, pós-Graduado em Fisiologia e Prescrição do Exercício – Treinamento e Reabilitação 
Pobres são os ganhos e pouquíssimas são as evidencias cientificas em comprovação de sua eficácia comparado ao exercício aeróbio com alguma refeição sólida pré-treino, o qual também é bem pobre em eficiência comparado ao HIIT, se tratando de emagrecimento. Paoli et al. (2011), mostraram que até após 12 horas, essa prática (AEJ) tinha menor gasto calórico total e utilização de gordura insignificante, diferenças as quais se mostraram evidentes após 24horas, interferindo negativamente no metabolismo ao longo do dia, comparado com quem fez alimentação pré-treino, os quais conseguiram manter o gasto calórico e metabolismo em alta durante os tempos supracitados.

Porém é importante ressaltar que a maioria das pessoas adeptas do AEJ o fazem com o auxílio da ingestão de BCAA, objetivando a manutenção da massa magra durante exercício. E aí é que está uma das grandes incoerências, ao ingerir qualquer substancia calórica, seu corpo sai do estado de jejum (inanição) descaracterizando totalmente o tipo de treino (AEJ).
Bom, a Ciência evolui, o que era hoje amanhã pode não ser mais, bom pra você pode não ser bom pra mim, assim a vida segue. Não sou adepto e não prescrevo, não vejo necessidade alguma em submeter o corpo a esse extremo. O mais importante é filtrar, absorver o que cada qual acha que possa ser aplicável, más é claro, “Achismo’’ não é bacana. Embasamento científico é o segredo.”

Edu Nogueira, especialista em em Fisiologia e Cinesiologia da Atividade Física e Saúde
Minha opinião a respeito desse assunto é que, sim, tem um fundamento lógico nessa metodologia, e que pode ser utilizado, de vez em quando, em suas sessões de treinamento. Deve-se atentar para o fato de que, com a “ausência” de glicogênio muscular, além das gorduras, poderemos também utilizar massa muscular como fonte de energia, ou seja, queimar músculos, e isso ninguém quer.
Especialistas indicam que, portanto, o AEJ não deve ultrapassar sessões de 40 minutos, e que não é indicado para qualquer pessoa. Indivíduos com algum tipo de patologia como diabetes, hipertensos, hiperinsulinêmicos, hiper ou hipotireoidismo, entre outros, não podem fazer esse tipo de treino. Vale ressaltar que o acompanhamento profissional de um educador físico e um nutricionista, nesse caso, é fundamental.”

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