Exposição de protótipos na Japan House, em São Paulo, mistura arte e ciência
Para mostrar a união de habilidade artesanal e ciências tecnológicas do Japão, a Japan House, espaço dedicado à cultura do país em São Paulo, expõe a partir desta terça-feira, 27, a mostra Prototyping in Tokyo, com peças projetadas pelo engenheiro e designer Shunji Yamanaka. Professor do Instituto de Ciência Industrial da Universidade de…

Para mostrar a união de habilidade artesanal e ciências tecnológicas do Japão, a Japan House, espaço dedicado à cultura do país em São Paulo, expõe a partir desta terça-feira, 27, a mostra Prototyping in Tokyo, com peças projetadas pelo engenheiro e designer Shunji Yamanaka.
Professor do Instituto de Ciência Industrial da Universidade de Tóquio, Yamanaka trabalha com o desenvolvimento de tecnologia em diversas frentes, de relógios a automóveis, passando por projetos para naves espaciais. Na exposição na Japan House, o trabalho do professor é apresentado em três temáticas, com robôs, próteses para corrida competitiva e ainda um protótipo que explora o ato de ficar em pé.
“Artes e ciências são coisas bem parecidas, mas ao mesmo tempo bem diferentes. Por vezes, sou artista e por vezes cientista”, analisa Yamanaka em entrevista ao jornal O Estado de s. Paulo. “Quando penso em um produto, como cientista penso em seu funcionamento ou sua usabilidade. Mas em relação à estética, preciso fazer como um artista.”
Para o professor, o desenvolvimento de protótipos é importante não como uma ajuda imediata à humanidade, mas como uma forma de descobrir formas de melhorar a vida. “Como um designer industrial, estamos sempre falando sobre o futuro.” O processo de apresentação de protótipos na indústria geralmente passa por uma pesquisa de mercado, algo que não anima Yamanaka. “Tenho a concepção de que com essas pesquisas você não cria o futuro”, explica. Para isso, o professor utiliza uma estratégia “emprestada” do mundo das artes, a de expor os produtos para a sociedade. “Quando você cria uma obra de arte, não sabe se vai fazer sucesso ou não. Quando você mostra para o mundo é que você descobre.”
O designer acredita que é a partir da exposição de um protótipo que se começa a criar um valor de mercado em cima dele. “A funcionalidade do produto é algo que pode ficar no âmbito das pesquisas, melhorando. Mas o visual, a parte mais sentimental do produto, é preciso apresentar.” É por isso que Yamanaka dá uma grande importância para a estética no trabalho. Um dos nichos apresentados na exposição, Ready to Crawl (Pronto para Rastejar), traz modelos de robôs que remetem a insetos, não com a intenção de imitá-los, mas de apresentá-los de uma forma familiar às pessoas. “A nossa inspiração não é o movimento dos animais em si, mas o que é natural para as pessoas no movimento.”
Ao trazer detalhes de aspectos da vida animal para a construção dos protótipos de robôs, mais uma vez o trabalho de Yamanaka aproxima arte e tecnologia. “Na arte, as pessoas conseguem se identificar com o trabalho de um escultor mesmo que a sua obra não dê tantos detalhes”, esclarece. “A coisa abstrata, de não dar muitos detalhes, é a essência da arte.”
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