Exposição fotográfica em braille emociona deficientes visuais
Grupo vivência experiência feita pelo Câmera e Luz no CenterVale


Exposição acessível abre universo da fotografia para deficientes visuais
Divulgação/Próvisão
Há quem diga que a arte nos faz ver a vida com outros olhos, mas para quem já perdeu a visão, o contato com a arte é um desafio, que quando superado, emociona, comove e transforma a percepção da realidade.
“Muda até nossos sonhos, que ganham novas cores. No sonho, enxergamos perfeita e nitidamente. Ah, se todo artista entendesse isso”, desabafa Emanoel Marciano da Silva, 61 anos, aposentado e paciente e educando do Centro de Reabilitação do Hospital Próvisão.
Silva, acompanhado de um grupo de outros pacientes, visitou pela primeira vez, nesta sexta-feira (22), uma exposição fotográfica. Trata-se do trabalho de dez fotógrafos de São José dos Campos, intitulado “Volume Morto”, em exposição no Center Vale Shopping.
A mostra, organizada pelo fotoclube Câmera e Luz, traz a descrição de cada fotografia em braille, o que possibilitou o acesso das pessoas com deficiência visual. As fotos retratam a seca na bacia do Paraíba do Sul por diferentes olhares.
“Nunca tive a oportunidade [de ver uma mostra fotográfica]. Perdi a visão há mais de dez anos e esse contato agora… E ver da nossa forma as fotos, foi muito emocionante. Na minha mente, em uma das fotos, consegui visualizar o rio, o céu azul, toda a cena, realmente bonito”, concluiu Silva.
Acessibilidade
Dilma Nogueira, uma das organizadoras da exposição, destacou que a intenção do fotoclube ao procurar o Próvisão era dar oportunidade para que todos realmente pudessem ‘ver’ as fotos. “Foi ótimo colocarmos a descrição em braille. E ver agora essas pessoas aqui, visitando, foi emocionante. É uma forma de mostrar algo novo e fazer uma coisa que ainda não tínhamos visto ninguém fazer”.
Para Maria Goreti Cortes de Assis, coordenadora educacional do Centro de Reabilitação do Próvisão e presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência, a proposta foi muito bem recebida e confirmou a importância da acessibilidade em todos os universos.
“Ali, além de explorar o espaço com a bengala, eles puderam fazer a leitura dos quadros, observar o que retratavam. Esta ação está de acordo com o diz a convenção internacional, é um compromisso para prover a acessibilidade. Os nossos educandos ficaram muito felizes”, conclui.
A Exposição “Volume Morto” acontece até o dia 26 de maio, das 10h às 22h, de segunda a sábado e nos domingos, até as 21h, no espaço cultural do Center Vale Shopping – avenida Deputado Benedito Matarazzo, 9403 – Jardim Oswaldo Cruz, São José dos Campos.

Emanoel Marciano da Silva (camisa xadrez) ‘vivencia’ sua primeira exposição
Divulgação/Próvisão
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