Fábricas da RMVale usaram táticas de ditadura até 1993, diz relatório

Apesar da Constituição Nacional ter promulgado a democracia no Brasil em 1988, nas fábricas da RMVale ações ligadas ao período de ditadura aconteceram até meados de 1993. Documentos com o registro de práticas envolvendo monitoramento de funcionários ligados ao sindicato e criação de ‘listas negras’ são reunidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.

Escrito por: João Pedro Teles2 min de leitura
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Brasil completou, em 2014, 50 anos do início da ditadura militar no país

Divulgação

Apesar da Constituição Nacional ter promulgado a democracia no Brasil em 1988, nas fábricas da RMVale ações ligadas ao período de ditadura aconteceram até meados de 1993. Documentos com o registro de práticas envolvendo monitoramento de funcionários ligados ao sindicato e criação de ‘listas negras’ são reunidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.

Desde o início do ano, um grupo de pesquisa ligado ao sindicato reúne documentos e colhe depoimentos que revelam as práticas de repressão adotadas nas fábricas da região durante o período de ditadura. O relatório final deve ser entregue em junho de 2015 e vai ser integrado à Comissão Nacional da Verdade, que investiga os crimes políticos durante os anos de regime militar no país.

“O relatório se baseia em documentos oficiais do Arquivo Nacional, DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), reportagens da época e, inclusive, depoimentos de funcionários do RH destas fábricas”, comenta o coordenador técnico do relatório, Edgar Dallarosa Fogaça.

Um relatório inicial, com 48 páginas mais anexos, foi divulgado em junho deste ano durante audiência pública na Câmara de São José. No relatório, documentos oficiais comprovam práticas de agressão, cortes de salário e de benefícios e a criação das ‘listas negras’ que circulavam entre as empresas.

“Muito do que acontecia tinha o aval do departamento de RH das empresas. Nos depoimentos que colhemos, todos sabiam que as fábricas mantinham uma sala onde alguns dos sindicalistas eram agredidos como forma de repressão. As empresas também mantinham uma lista com o nome de empregados que participavam das ações sindicais, o que dificultava bastante a procura desses trabalhadores por novos empregos”, afirma.

A comissão do sindicato conta com seis pessoas e deve manter os trabalhos de coleta de dados até o final do ano. No documento, os principais eventos se concentram entre os anos de 1980 e 1989.

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