Ferrari vence processo contra dentista que fez réplica da F-40
Caso aconteceu em Cachoeira Paulista

A Justiça de São Paulo arquivou temporariamente o processo movido pela Ferrari contra o dentista José Vitor Estevam Siqueira, morador de Cachoeira Paulista, acusado de fabricar e tentar vender uma réplica do modelo F-40, um dos veículos mais icônicos da montadora italiana.
O caso, que tramitava desde 2019, terminou sem que a empresa recebesse o valor da indenização de R$ 42,3 mil, definido pela Justiça após a vitória da Ferrari. Segundo a decisão da juíza Rita de Cássia da Silva Junqueira Magalhães, da 2ª Vara de Cachoeira Paulista, a fabricante não conseguiu localizar bens do réu para garantir o pagamento e pediu o arquivamento da execução.
Réplica artesanal e sonho pessoal
José Vitor ficou conhecido após construir, nos fundos de casa, uma réplica artesanal da Ferrari F-40, modelo esportivo lançado em 1987 e considerado uma das joias mais raras da marca. Ele usou metais comprados em lojas de construção e moldou as chapas manualmente.
“Era um sonho de infância, um desafio pessoal. Nunca imaginei que isso pudesse me trazer tantos problemas”, afirmou o dentista, em entrevista concedida à época.
O projeto começou em 2017 e ganhou repercussão em 2019, quando o carro foi apreendido pela Polícia Civil após denúncia feita pela própria Ferrari, que acusou o brasileiro de uso indevido de marca e propriedade industrial.
Venda na internet e denúncia
Segundo o processo, o dentista chegou a anunciar o protótipo na internet por R$ 80 mil. A publicação foi retirada do ar logo depois, mas a montadora descobriu o anúncio e denunciou o caso às autoridades.
A Ferrari alegou que o modelo violava leis de proteção de design e patente, e pediu a apreensão do veículo, que foi levado para perícia. O carro ficou sob custódia judicial e não foi devolvido ao criador.
Durante o processo, José Vitor foi condenado a parar de fabricar ou anunciar réplicas da marca, além de pagar a indenização por danos materiais e lucros cessantes à Ferrari.
Tentativa frustrada de indenização
Mesmo com a sentença favorável, a Ferrari não conseguiu recuperar o valor da indenização. A montadora relatou ter feito diversas tentativas de bloqueio judicial de bens, mas sem sucesso. Diante disso, seus advogados pediram o arquivamento do caso, que poderá ser retomado se forem localizados bens em nome do réu.
Paralelamente, o dentista tentou processar a Ferrari pedindo R$ 100 mil de indenização por danos morais, alegando que sofreu abalo psicológico e prejuízos à imagem profissional. O pedido foi rejeitado pela Justiça.
Um caso que virou símbolo
O episódio chamou atenção internacionalmente por envolver uma marca símbolo do luxo e da velocidade e um dentista do interior paulista movido por um sonho pessoal. O protótipo foi considerado uma homenagem improvisada, mas ilegal, à F-40 — o último modelo supervisionado por Enzo Ferrari, capaz de atingir 300 km/h e avaliado em mais de R$ 4 milhões.
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