Festivale terá vencedor do Prêmio Shell e homenagem a Suassuna
Além de estimular o debate sobre os 50 anos da Ditadura Militar e prestar reverência aos 450 anos de Shakespeare, o 29º Festivale (Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba), que vai de 4 a 14 de setembro, vai homenagear o poeta pernambucano Ariano Suassuna e receber o ator Chico Carvalho, que venceu o Prêmio Shell de melhor ator em 2014.


Chico Carvalho (foto) que ganhou o Shell de melhor ator em “Ricardo 3º”
Divulgação/Ana Gois
Além de estimular o debate sobre os 50 anos da Ditadura Militar e prestar reverência aos 450 anos de Shakespeare, o 29º Festivale (Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba), que vai de 4 a 14 de setembro em São José dos Campos, vai homenagear o poeta pernambucano Ariano Suassuna e receber o ator Chico Carvalho, que venceu o Prêmio Shell de melhor ator em 2013.
Mesmo sem a programação divulgada, o coordenador do festival Wangy Alves adiantou alguns dos destaques da edição desse ano à reportagem. A peça “Farsa da Boa Preguiça”, adaptada de texto de Suassuna, que morreu em julho desse ano, vai ser encenada pelo cordelista pernambucano Edmilson Santini, do Teatro em Cordel.
A abertura do Festivale acontece com a companhia paulistana Teatro de Narradores, de São Paulo. A montagem “Ensaio sobre a Esquadronização Geral” aborda questões relacionadas ao regime militar vivido no Brasil e seus reflexos no comportamento atual da polícia.
Para exaltar Shakespeare, o festival recebe a peça “Ricardo 3º”, do dramaturgo inglês, adaptada pela Cia. da Matilde, de São Caetano do Sul, que é protagonizada pelo já citado Chico Carvalho.
O Festivale também presta reverência aos dramaturgos joseenses Moisés Nerchkovski, Sebastião Vilaré e Edu Gair, este último falecido no mês de agosto.
Organização
Em 11 dias de evento, o Festivale abriga mais de cem atividades, recebendo companhias convidadas e 28 selecionadas por sua curadoria. São 13 grupos da RMVale (no ano passado foram oito), cinco da Grande São Paulo e cinco de outros Estados brasileiros, além dos suplentes. Ao todo, 72 cidades são representadas no festival.
“Estamos mudando a forma dos debates. Dois críticos analisam os espetáculos de destaque e três mediadores se dividem entre peças de rua, infantis e adultas. Queremos provocar um maior debate entre o público e o grupo que se apresenta”, afirma o coordenador.
O perfil da edição 2014 do Festivale é de espetáculos fechados. “Não teremos tantas ações na rua, o perfil é mais de salas fechadas nas casas de cultura”, diz Wangy.
O orçamento gasto para o evento é de cerca de R$ 300 mil e a expectativa de público da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), organizadora do festival, é de 20 mil pessoas.
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