Ficção em Vida
Dizem que a leitura está se tornando uma atividade cada vez mais feminina. A explicação é que as mulheres trabalham menos e, assim, se dedicam mais às fantasias. Como sou alérgico à divisão entre saias e calças, só me resta uma certeza: há cada vez menos leitores no mundo, e uma sociedade sem leitura está […]


Dizem que a leitura está se tornando uma atividade cada vez mais feminina. A explicação é que as mulheres trabalham menos e, assim, se dedicam mais às fantasias. Como sou alérgico à divisão entre saias e calças, só me resta uma certeza: há cada vez menos leitores no mundo, e uma sociedade sem leitura está fadada a pôr sua própria liberdade em risco.
A moda agora é a especialização do conhecimento. São os guetos de técnicos e especialistas que fazem do conhecimento uma utilidade programada – ponderando a vida com esquemas e fórmulas. A literatura, ao contrário, sobrou como único espaço para que indivíduos se dialoguem e se reconheçam como membros da mesma espécie, armando-se contra o preconceito, refletindo sobre o que somos e como lidamos com nossos atos, sonhos e fantasmas.
Esse conhecimento “totalitário” (e não especializado) do ser humano encontra-se, hoje, apenas na ficção que, em prol da liberdade, continua como maior alimento contra as ofensas e imposições deste mundo que nos obriga a sermos iguais. A literatura nos torna mais intensos do que qualquer rotina forçada. A literatura é a grande confirmação de que a única vida bem vivida mora dentro da ficção.
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