Filha de Di Cavalcanti cria instituto para preservar sua obra

Homenagem é prestada nos 40 anos da morte do pintor modernista

Escrito por: Antonio Gonçalves Filho2 min de leitura
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Natureza-morta. Tela de 1933, um ano depois da primeira prisão do artista

Divulgação

Nos 40 anos da morte de Di Cavalcanti, o pintor deve emprestar seu nome ao instituto que sua filha, Elizabeth Di Cavalcanti, organiza no Rio para preservar a obra do pai e separar, afinal, o joio do trigo, considerando que o modernista é um dos artistas mais falsificados no País ao lado de Volpi, com quem dividiu o prêmio de melhor pintor na 2ª. Bienal de São Paulo. Di Cavalcanti produziu muito. Segundo Elizabeth, devem existir mais de 9 mil obras do pai, das quais, segundo ela, 5.400 já foram localizadas.

O pintor sempre se preocupou com o destino de sua obra extensa, que tem desenhos, telas, murais e painéis. “A internet foi fundamental para fazer esse levantamento preliminar dos trabalhos de meu pai”, diz Elizabeth, que há 16 anos pesquisa na rede em que coleções estão as obras. Ela acredita que a maior parte dos colecionadores seja de São Paulo, cidade em que o artista carioca morou e estudou Direito.

Di Cavalcanti era um artista generoso, que presenteou muitas obras a amigos e outras tantas a museus. Só ao Museu de Arte Moderna de São Paulo ele doou 500 desenhos. Elizabeth diz que o livro a ser lançado em abril será uma “pequena amostra” do catálogo raisonné, ainda em preparo. “É um trabalho demorado, que exige dedicação, e eu o faço de forma solitária.”

Um dos maiores problemas relacionados à obra de Di Cavalcanti, além das falsificações (a maioria concentrada em obras da segunda metade dos anos 1960), é a concessão de atestados de autenticidade, considerando que o expertise, hoje, é feito por galeristas e marchands – com a criação do instituto, essa atribuição mudaria, seguindo a metodologia adotada por outras instituições, notadamente o Instituto Volpi de Arte Moderna.

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