Filme de Almodóvar é um grande concorrente
A Amazon vai concentrar seus esforços na divulgação de duas produções para a disputa do Oscar de melhor filme internacional: o brasileiro A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, e Les Misérables, de Ladj Ly, representante da França. Dois longas muito distintos – enquanto o nacional é um tocante melodrama sobre questões de gênero, o francês foca…

A Amazon vai concentrar seus esforços na divulgação de duas produções para a disputa do Oscar de melhor filme internacional: o brasileiro A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, e Les Misérables, de Ladj Ly, representante da França. Dois longas muito distintos – enquanto o nacional é um tocante melodrama sobre questões de gênero, o francês foca utiliza os subúrbios parisienses para tratar dos problemas de imigração.
A julgar pelos elogios de alguns críticos americanos, o filme brasileiro reúne grande chance de chegar entre os cinco finalistas, que serão conhecidos no dia 13 de janeiro – a cerimônia do Oscar acontece em 9 de fevereiro. “Acredito que dois longas têm lugar certo nesta lista: Dor e Glória, do espanhol Pedro Almodóvar, e Parasita, de Joon-ho Bong, representante da Coreia do Sul”, observa Rodrigo Teixeira, da RT Features, produtora de A Vida Invisível. “As outras três vagas seriam disputadas pelo restante.” Ele ainda vê com boas chances o dinamarquês Rainha de Copas, de May El-Toukhy.
Mesmo assim, a disputa pelo Oscar de produção internacional é diferente das demais categorias, cujas premiações paralelas indicam os mais fortes candidatos – normalmente, os vencedores do Sindicato dos Atores, por exemplo, acabam faturando também a estatueta dourada. Neste ano, a mecânica de escolha mudou: antes, era divulgada uma pré-lista com nove finalistas, agora serão dez: sete serão escolhidos por um comitê internacional e os outros três serão votados por um comitê executivo. Os dez escolhidos serão avaliados novamente pelo comitê internacional, que vai definir os cinco finalistas. “E, nos últimos anos, a Academia rejuvenesceu, contando agora com menos membros conservadores.”
É esse aspecto que transforma as redes sociais em grande trunfo na divulgação do filme – para isso, a Amazon se prepara para disparar, por exemplo, uma série de newsletter sobre A Vida Invisível – não é segredo o interesse da plataforma em ganhar esse Oscar, uma vez que, no ano passado, o vencedor foi Roma, do mexicano Alfonso Cuarón, belíssima produção da Netflix.
“Os executivos da Amazon estão otimistas, muitos me confessaram terem amado o filme do Karim”, conta Teixeira, que percebe outro fator positivo, provocado pela forma com que o restante do planeta observa hoje o Brasil. “Nossa imagem agora é estranha, não é mais favorável como antes”, disse ele, que esteve no Festival de Zurique no fim de semana passado, quando teve a percepção. “Com isso, a arte desponta como resistência e os estrangeiros estão dispostos a premiar isso.”
Além da indicação para a estatueta de produção internacional, A Vida Invisível, que estreia dia 31 no Brasil e já foi vendido para 30 países, tem grande chance também na disputa da categoria fotografia, com a francesa Hélène Louvart. “Ela já recebeu prêmios específicos da sua área, o que a deixa com muitas chances”, explica Teixeira, cuja produtora terá chance de participar de outras categorias de peso com outras produções: Ad Astra e Wasp Network.
Já em cartaz no Brasil, Ad Astra é uma ficção científica intimista, dirigida por James Gray e é estrelada por Brad Pitt, também produtor. “Esse é o grande ano de Pitt, que está também fabuloso em Era uma Vez em… Hollywood, do Quentin Tarantino”, comenta o produtor, que vê a possibilidade de uma dupla indicação para ele, como ator e ator coadjuvante – além de uma indicação para Gray e até de melhor filme: com isso, em caso de vitória, Rodrigo Teixeira será o primeiro brasileiro a conquistar o prêmio máximo da Academia.
Já Wasp Network, de Olivier Assayas e inspirado em livro de Fernando Morais, pode ter chance nas categorias de atriz (Penélope Cruz) e Gael García Bernal (ator coadjuvante).
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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