Fiscalização descobre criadouro clandestino com 29 aves silvestres e multa morador na Rodovia Nilo Máximo

Força-tarefa da Polícia Ambiental localizou espécies raras e ameaçadas de extinção na zona rural

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto3 min de leitura
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Uma denúncia anônima levou as equipes da Polícia Militar Ambiental a interromper o funcionamento de um cativeiro clandestino de pássaros nativos em uma propriedade rural de Santa Branca. Durante a vistoria no imóvel, que fica situado às margens da Rodovia Nilo Máximo, os policiais encontraram dezenas de gaiolas espalhadas tanto pelas paredes externas quanto no interior dos cômodos da residência. Ao todo, 29 aves da fauna brasileira foram resgatadas pelas autoridades.

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O responsável pelo local não possuía nenhum tipo de licença ou autorização dos órgãos ambientais para a criação dos animais. Questionado pelos agentes, ele admitiu ter feito a captura de todos os espécimes diretamente dentro do seu próprio terreno. No local, também foi encontrado e apreendido um bico de tucano guardado de forma irregular.

O ponto mais crítico da ocorrência foi a identificação de três exemplares de bicudo (Sporophila maximiliani). A ave é considerada uma das espécies mais ameaçadas de extinção no território nacional, figurando na lista oficial do Ministério do Meio Ambiente. Devido à gravidade de manter animais sob risco de extinção privados de liberdade, o valor das penalidades administrativas foi severamente elevado.

Além das aves, os policiais apreenderam um conjunto de materiais utilizados para a caça e o manejo ilegal de animais silvestres, bem como maquinário sem documentação:

  • Duas redes de grande porte e dois alçapões para captura;
  • Uma espingarda de pressão acompanhada de duas latas de chumbinho;
  • Ferramentas cortantes, sendo um facão, um machado e uma faca;
  • Uma bolsa de lona para transporte;
  • Uma motosserra operada sem a Licença de Porte e Uso obrigatória, situação de irregularidade que também foi confessada pelo infrator.

Em razão do flagrante, a Polícia Ambiental confeccionou três Autos de Infração Ambiental, cujos valores somados totalizaram R$ 29.500,00. A cobrança foi desmembrada em R$ 28 mil pela guarda ilegal dos pássaros, R$ 500 pelo armazenamento do bico de tucano e R$ 1.000 pelo porte irregular da motosserra.

Os policiais constataram que, apesar do confinamento forçado, as aves estavam abastecidas com água e ração adequadas, sem sinais visíveis de maus-tratos físicos. Todo o grupo de pássaros e as 18 gaiolas recolhidas foram levados inicialmente para o 3º Pelotão de Polícia Ambiental. Após passarem pelos procedimentos técnicos de perícia, os animais serão transferidos para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do IBAMA, em Lorena, para reabilitação e eventual soltura. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Santa Branca com base na Lei de Crimes Ambientais.

Foto: Divulgação/Polícia Militar Ambiental