Fotógrafo ‘zen’ usa métodos de meditação budista para retratar o cotidiano

Gênero aguça a observação despida de pré-julgamentos Yuri Bittar/ Divulgação Despir-se de qualquer julgamento pré-concebido para desfrutar a paisagem do aqui e agora como se estivesse a admirando pela primeira vez. Deixar o movimento do mundo fluir e postar-se como um espectador impassível. Tais conceitos, empregados normalmente nas práticas de meditação, são também os princípios […]

Escrito por: Do Meon2 min de leitura
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Gênero aguça a observação despida de pré-julgamentos

Yuri Bittar/ Divulgação

Despir-se de qualquer julgamento pré-concebido para desfrutar a paisagem do aqui e agora como se estivesse a admirando pela primeira vez. Deixar o movimento do mundo fluir e postar-se como um espectador impassível. Tais conceitos, empregados normalmente nas práticas de meditação, são também os princípios da Fotografia Contemplativa, técnica criada na década de 1960 que empresta concepções da meditação para as práticas fotográficas.

Um dos maiores representantes desta vertente no Brasil, o fotógrafo Yuri Bittar, estará em São José dos Campos para dividir experiências sobre o assunto durante a atividade “Fotografia Contemplativa”, que acontece no sábado (25), das 10h às 16h30, na Oficina Cultural Altino Bondesan.

Professor da Universidade Federal de São Paulo, Bittar afirma que, antes de ser uma técnica fotográfica, a prática consiste numa outra forma de ver o mundo e de apreciar a realidade. De acordo com ele, o fotógrafo que adere à prática não está sequer preocupado com a imagem perfeita, mas com o ato de transcendência motivado pelo exercício de despir o olhar de preconceitos e julgamentos.

“É um exercício de olhar, uma prática de abertura e de curiosidade, mas não de julgamento. Prestando atenção apenas à formas, cores e texturas, os praticantes chegam mais próximos a enxergar as coisas como elas são de verdade”, explica.

Para praticar, não é necessária experiência anterior. Bittar afirma, inclusive, que os vícios de enquadramento, iluminação e profundidade dos fotógrafos experientes é um obstáculo nesse exercício de descortinamento da realidade conhecida.

“Não percebemos, mas nosso cérebro condiciona o que vemos a uma série de questões que carregamos conosco. É preciso despir-se completamente disso e enxergar as coisas apenas como elas são. Como se as estivéssemos vendo pela primeira vez, sem saber para que servem ou do que se tratam. No caso dos fotógrafos profissionais, é preciso desconstruir uma série de modelos utilizados durante seus anos de fotografia”, explica.

O resultado desse desprendimento são imagens libertas, que oferecem novas perspectivas e despertam visões inovadoras.  Belezas escondidas na fumaça do cotidiano ganham tons de protagonismo a partir do despertar desta nova forma de encarar a realidade

“Os maiores erros acontecem quando as pessoas dão mais valor às fotos do que ao olhar fotográfico, quando ficam muito preocupadas no que deve ser fotografado ou quando se preocupam demasiadamente com questões estéticas”, conclui.

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