Funcionários da GM decidem continuar paralisação em São José

Greve contra o anúncio de demissões foi iniciada nesta segunda-feira (10)

Escrito por: Do Meon3 min de leitura
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Os trabalhadores do primeiro turno da unidade da GM (General Motors), em São José dos Campos, aprovaram na manhã desta terça-feira (11), pela continuação da greve geral iniciada nesta segunda-feira (10), contra o anúncio de demissões na fábrica.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a montadora ainda não procurou a entidade para negociar. Os trabalhadores querem a reversão das demissões e estabilidade no emprego.

A partir deste sábado (8), funcionários da planta de São José receberam da GM um telegrama comunicando a rescisão de contrato sem justa casa. Ao mínimo 250 trabalhadores devem ser demitidos.

Neste domingo (9), funcionários demitidos pela GM estiveram na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, para uma assembleia. No encontro, os trabalhadores foram orientados pela entidade a não comparecerem ao exame demissional convocado pela GM e a desconsiderarem o telegrama de demissão.

Ainda segundo o sindicato, na assembleia, a maioria dos presentes era da linha de produção do veículo S10 e da fábrica de motores Powertrain.

“Foi um ato de covardia da GM. Agora só existe uma saída:  a mobilização dos trabalhadores e partir para uma forte movimentação política, exigindo dos governos federal e estadual,  a intervenção para a reversão das demissões e a estabilidade no emprego para todos os trabalhadores”, disse o dirigente da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Retorno de lay off 
Também estava previsto para esta segunda-feira, o retorno dos 750 trabalhadores da unidade da GM, em São José, que estavam em lay off (suspensão temporária de contrato) desde março. O lay off na unidade joseense da montadora começou no dia 9 de março e atingiu 798 trabalhadores. Deste total, 48 foram convocados antecipadamente para o retorno à fábrica.

No acordo assinado com o Sindicato dos Metalúrgicos, os trabalhadores afastados pelo lay off, terão estabilidade no emprego por três meses. A princípio, segundo a entidade, esse grupo de 750 operários não deve estar incluído nas demissões e também está em greve.

Sem investimentos  
Em anúncio no último dia 28, a General Motors informou que a planta de São José dos Campos vai ficar fora do plano da montadora para a produção de uma nova linha de veículos no país. A GM pretende investir nos próximos anos R$ 6,5 bilhões para desenvolver uma linha com seis modelos de veículos Chevrolet.

Segundo o sindicato, a GM de São José dos Campos possui cerca de 5.200 trabalhadores e produz os modelos S10 e Trailblazer, além de motores, transmissão e kits para exportação (CKD).

Outro lado
O Meon entrou em contato com a GM nesta terça-feira (11), mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Em nota enviada nesta segunda-feira, a GM informou que lamenta a decisão do sindicato de convocar greve no complexo industrial de São José e reafirmou sua disposição para “o diálogo construtivo no sentido de encontrar alternativas para manter a unidade competitiva em um contexto de grande transformação no mercado brasileiro”, diz parte da nota.

“A paralisação da operação da fábrica só contribui para agravar a séria crise que afeta hoje a GM e a indústria automotiva”, diz outro trecho.

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