Futebol raiz: os campeonatos amadores do Vale do Paraíba
Cercada de apelidos, rivalidades, bons jogadores e técnicos, somente o dinheiro separa a várzea do futebol profissional



Quando se fala de futebol a primeira coisa que muitos pensam é sobre o glamour dos grandes campeonatos Brasil a fora, com a fama, grandes torcidas e muito dinheiro envolvido. Mas, por se tratar de uma paixão mundial, o futebol não se limita aos grandes centros com grandes estruturas.
Longe da fama e dos altos investimentos o futebol de várzea, ou futebol amador, é uma das formas de lazer e competição que movimentam a paixão pelo esporte de várias pessoas em todo o país e não é diferente na RMVale.
Na região, todas as cidades contam com os campeonatos amadores, mesmo que com poucos times ou com equipes “importadas” de outras cidades. Apesar disso, duas cidades despontam com os campeonatos de várzea considerados os mais fortes do Vale do Paraíba, a ACAF (Associação de Clubes Amadores de Futebol), representando a primeira divisão do campeonato amador de São José dos Campos, e a primeira divisão do amador de Taubaté. Além disso, a Copa Band Vale também representa um dos campeonatos mais fortes da região, já que reúne times de várias cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte.


Para o presidente da LMFT (Liga Municipal de Futebol de Taubaté) Diego Magalhães, conhecido como Diego Lugano, o motivo para o sucesso da liga da cidade é a tradição das equipes e pelos jogadores. “É forte pela história que já conquistou nesses 75 anos de campeonatos e hoje em dia a qualidade dos jogadores da cidade e pelos que vem de fora em todos os nossos campeonatos, também a organização e estrutura dos clubes melhoraram muito o nível dos campeonatos”, conta Lugano. O presidente ainda acrescenta que o futebol da cidade sofreu com a pandemia “Todos os campeonatos que iriam começar foram cancelados em conjunto com os clubes pela pandemia da Covid-19, o único campeonato que estava em andamento até a paralisação era o Renato Braga, que após a liberação do futebol amador, será feito uma reunião com os clubes para a retomada”, diz.
Já para o presidente da ACAF, Wagner Antunes, o Waguinho, os rivais da cidade deixam o campeonato mais atrativo. “O amador de São José é um dos melhores do estado, com muita rivalidade dentro de campo isso deixa a competição muito grande todos querem ganhar e ser campeão sempre tem investimento alto”. Afirma o mandatário. Ele também informou que o amador da cidade já está preparado para acontecer, só falta o aval do governador do estado.
Atualmente, o União Operária é o campeão do amador de Taubaté e o tem a taça de 2019 da ACAF.
Wagner Cassius, conhecido como Babu, é técnico de alguns times de futebol de várzea e teve a honra de não só participar, como vencer dois dos campeonatos mais difíceis e respeitados da região. Babu já venceu títulos como a Band Vale, pelo Boca Juniors de Taubaté, a Liga de Taubaté pelo União Operário e vários outros campeonatos amadores. Há três anos no comando do Novo Horizonte de São José dos Campos e mira o único título dos grandes campeonatos que falta para ele.
Babu acredita que várias dificuldades cercam os campeonatos de várzea. “Quando se monta um grande elenco a parte mais difícil e controlar a vaidade dos jogadores, pois não se ganha com apenas 11, na parte administrativa é fazer o time ter recursos, corre atrás de patrocínio e de verba, pois futebol amador dá muito gasto”, explica o técnico, ainda assim vencer os campeonatos faz tudo isso valer a pena. “Todos os títulos são marcantes, todos os campeonatos são difíceis, agora na ACAF estamos iniciando um trabalho com pé no chão, mas se Deus quiser (o título) vai chegar”. Conta Babu.

Dentro do campo as emoções não são diferentes, Kleber Pavret, o Fubá, é zagueiro, de Caçapava e já conquistou os três títulos mais difíceis da região. Venceu a Band Vale pelo Vila São Geraldo, de Taubaté, a ACAF pelo Jardim São José e o amador de Taubaté pela Volkswagen Club. Para ele, ter tantas conquistas no currículo é um privilégio. “É uma sensação de gratidão, tudo muito gratificante. Sentimento de que você está treinando fazendo um bom trabalho”, afirma o zagueiro, mas também relata que tinha a parte ruim dos jogos. “Sofrer lesões e ter que ir trabalhar segunda-feira era a parte mais difícil de jogar no amador”, conta Pavret, que começou no amador aos 13 anos.
Atualmente, com 45 anos, Fubá já pendurou as chuteiras dos campeonatos principais, mas ainda disputa os campeonatos masters, para os acima de 40 anos.

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