Galerias vendem mais obras para as instituições de fora
A SP-Arte foi a feira em que 56% das galerias movimentaram um maior volume de negócios no ano que passou, segundo a pesquisa setorial Latitude 2014, elaborada pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact), entidade que reúne 49 galerias do mercado primário em seis estados brasileiros. A consultora da entidade, também coordenadora da…

A SP-Arte foi a feira em que 56% das galerias movimentaram um maior volume de negócios no ano que passou, segundo a pesquisa setorial Latitude 2014, elaborada pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact), entidade que reúne 49 galerias do mercado primário em seis estados brasileiros. A consultora da entidade, também coordenadora da pesquisa, Ana Letícia Fialho, vai apresentar na feira, ainda esta semana, um relatório com o perfil das galerias participantes e as tendências do mercado. O Caderno 2 teve acesso exclusivo aos resultados da pesquisa, realizada junto a 45 galerias.
Entre outros dados, ela revela que aumentou o número de feiras realizadas por ano e também o porcentual de artistas que entraram pela primeira vez no mercado em 2013. A evolução do mercado pode ser medida também pelo recorte geracional que aponta o número de galerias nascidas a cada década. Foram apenas duas nos anos 1970. Já em 2010, 15 galerias abriram as portas. A distribuição regional das instituições que trabalham com arte aponta São Paulo e Rio como as principais capitais: 59% das galerias estão localizadas na primeira e 29% na última.
Em média, cada galeria realiza sete exposições individuais por ano, representando algo como 22 artistas, num universo calculado em 1.000 artistas brasileiros. Um dado curioso é que, nesse mercado, 57% da mão de obra é feminina, contando as galerias com oito empregados, em média. O número de trabalhadores cresceu desde 2012, acompanhando a evolução do faturamento: 64% das galerias registraram uma receita bruta de até R$ 3,6 milhões no ano passado e 31% conseguiram resultados acima desse valor.
Esta é a terceira pesquisa realizada pela Abact desde 2011. O foco é sempre o mercado primário (a primeira venda de uma obra). O projeto Latitude, explica sua coordenadora, mira a internacionalização das galerias, que participam de mais feiras fora do Brasil a cada ano, estabelecendo parcerias com galeristas estrangeiros. “Há uma presença maior das galerias brasileiras em feiras internacionais”, diz Ana Letícia Fialho, revelando que aumentou o porcentual de galerias com parceiros lá fora, apesar dos obstáculos ao desenvolvimento do setor, como a alta tributação (especialmente para obras importadas) e burocracia do governo.
Os galeristas que responderam às 150 questões da pesquisa apontaram para a necessidade de um diálogo maior com as esferas governamentais, reclamando das políticas públicas voltadas ao setor. Apesar disso, 90% das galerias viram crescer o volume de negócios no ano passado. O crescimento médio do setor em 2013 foi de 27,5% – isso representa 5% a mais do que em 2012. Só para o exterior, as galerias venderam 126 obras destinadas a 24 instituições internacionais.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
