Gosta de investir? Saiba como a guerra no Leste Europeu afeta investidores

Carteira de investimentos equilibrada, diversificada e condizente com o perfil de risco individual é boa opção em momentos de crise, como o atual

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Nesta quarta-feira (16), a Rússia afirmou que estuda a possibilidade de aceitar um acordo com a Ucrânia que permita que os ucranianos mantenham seu exército, com a condição de que só atue dentro das fronteiras ucranianas. O exército desmilitarizado teria a única função de proteger a população e seus direitos dentro dos limites territoriais.

Mesmo se remota, a mera possibilidade de acordo gera expectativa nos investidores do Brasil e do mundo. Mas, o que o conflito no Leste Europeu tem a ver com investimentos?

“Além das inúmeras implicações geopolíticas e humanitárias, há um cenário ainda mais desafiador para os investidores ao redor do mundo. E o Brasil não está imune aos desdobramentos desta invasão ocorrida do outro lado do planeta. Em momentos como esse, a primeira reação é de pânico nos mercados acionários com os agentes financeiros se desfazendo de suas posições de risco, principalmente as ações, e buscando ativos mais estáveis como a renda fixa, o ouro e o dólar americano”, comentou Luiz Scavone, assessor de investimentos e head de alocação da Maestro Investimentos, empresa presente em São José dos Campos e em quatro estados brasileiros.

A cada notícia de avanço ou recuo de tropas, bombardeios ou negociações de paz, os preços oscilam, assim como o do dólar, que tende a se manter valorizado nas próximas semanas. Há mais gente vendendo dólar para comprar real, além disso, existe valorização de commodities de energia e agrícolas, aliada aos juros em alta para frear a inflação. Essas condições atraem estrangeiros para o mercado brasileiro.

Segundo a Bolsa Brasileira -B3, até o começo deste março, os estrangeiros entraram com R$67,5 bilhões no mercado de ações. Do começo do ano até agora, o investidor estrangeiro trouxe quase R$80 bilhões para a bolsa, entre compras no mercado à vista, futuro e ofertas de ações.

Comércio Mundial e Juros

Como Ucrânia e Rússia são importantes produtores e exportadores de grãos, como trigo e milho, além de fertilizantes, gás natural e petróleo, a primeira consequência será o aumento no preço de energia, nos alimentos e uma inflação ainda mais persistente.

“Para a Bolsa Brasileira, esta alta nos preços pode ser positiva para as empresas de commodities e para o Ibovespa, que possui aproximadamente 35% de exposição ao segmento. Por outro lado, a pressão inflacionária poderá fazer com que o Banco Central do Brasil considere aumentar ainda mais os juros no país que impacta negativamente na atividade econômica”, apontou o especialista.

Quando se trata de juros, a atenção se volta para a tomada de decisão do banco central dos Estados Unidos, que deverá aumentar a taxa de juros pela primeira vez desde 2018. Já no Brasil, o Copom deverá rever a taxa Selic, a expectativa do mercado é que haja aumento de um ponto, com a taxa básica indo para 11,75% ao ano.

Conduzir situações difíceis

A volatilidade também poderá ser influenciada pelo campo político, neste caso, por como o governo conduzirá a situação para reduzir os preços dos combustíveis. É importante lembrar que, seja por fatores externos ou internos, estratégias e conhecimento trazem resultados diferentes para todos os tipos de investimentos. “Devemos ter sempre uma carteira de investimentos equilibrada, diversificada e condizente com o perfil de risco individual para enfrentar momentos difíceis como o que estamos vivendo. Há alternativas que amenizam os riscos se utilizando de planejamento”, concluiu Scavone.

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