Grande Rio surpreende com homem-bala
Treze anos depois de surpreender a Sapucaí com um homem voador, a Grande Rio deixou o público boquiaberto ao trazer um homem-bala, lançado de um canhão sobre uma rede. A inovação veio na comissão de frente da escola, surpreendendo já nos primeiros minutos de apresentação e mostrando que dinheiro não faltou ao carnavalesco Fábio Ricardo. Outra…


Grande Rio surpreende com homem-bala
Fernando Maia/Riotur/fotospublicas.com
Treze anos depois de surpreender a Sapucaí com um homem voador, a Grande Rio deixou o público boquiaberto ao trazer um homem-bala, lançado de um canhão sobre uma rede. A inovação veio na comissão de frente da escola, surpreendendo já nos primeiros minutos de apresentação e mostrando que dinheiro não faltou ao carnavalesco Fábio Ricardo.
Outra novidade foi o tamanho da alegoria da comissão: um navio pirata gigantesco, de 30 metros de comprimento, quando o que se costuma ver são tripés de apoio de dimensões bem mais modestas. A escola de Duque de Caxias homenageou o município de Maricá e conseguiu patrocínio de R$ 4,5 milhões da prefeitura. Foi das que mais gastaram este carnaval: cerca de R$ 15 milhões.
Com 23 anos de experiência, o homem-bala pirata chama-se Chachi Valencia e foi descoberto pela escola num show em Las Vegas. Ele era “cuspido” por um canhão que se levantava do navio. A performance foi ovacionada pela Passarela do Samba. Ficou a dúvida se os integrantes da alegoria cumpriram a função da comissão da frente – apresentar a escola ao público.
Em 2001, sob o comando de Joãosinho Trinta, quando desfilou em homenagem ao profeta Gentileza, a Grande Rio importou um homem voador vestido de astronauta também dos Estados Unidos. Depois apresentado como Eric Scott, ele voou várias vezes durante o desfile. No entanto, não se integrou ao enredo, que falava de um homem que pregava o desprendimento dos bens materiais.
Depois do impacto do homem-bala, o desfile pouco empolgou. O enredo misturava homenagem aos 20 anos de Maricá e à cantora Maysa, que tinha casa na cidade a 60 quilômetros da capital.
A noite foi aberta pela Império da Tijuca. O bom samba, de refrão poderoso, na ponta da língua dos componentes e do público, não foi suficiente para que a escola da zona norte do Rio fizesse um desfile digno do Grupo Especial. A Tijuca voltou à elite, depois de 17 anos em divisões inferiores, com um enredo bem amarrado, “Batuk”, sobre a influência na cultura brasileira dos ritmos africanos trazidos pelos escravos no século 16. Mas seu desenvolvimento não foi criativo, e a falta de recursos era evidente: os carros alegóricos e fantasias eram bem simples, com cara de escola pequena.
“Vai tremer/o chão vai tremer”, convocava, com garra, os 3.300 componentes tijucanos – e a Sapucaí respondia. As alegorias e fantasias, no entanto, não empolgavam. O primeiro e o segundo carros, com representações de negros e seus atabaques, eram bem parecidos nos adereços, e os tripés – que apareceram já na comissão de frente – não tinham função clara. O último carro, uma homenagem ao Morro da Formiga, onde a escola nasceu, nos anos 1950, com formigas gigantes, era pueril e paupérrimo.
Em sua “batucada mística”, o carnavalesco Junior Pernambucano abusou das figuras dos orixás, dos festejos e danças brasileiros de matriz africana e dos instrumentos percussivos, numa sequência um tanto previsível. E ainda faltou cuidado com os detalhes: no carro que aludia ao mangue beat pernambucano, uma garra da escultura de caranguejo “feria” a cada toque um dos bonecos que representavam dançarinos de frevo, arrancando-lhe pedaços.
A escola vem de graves problemas financeiros, sanados pelo presidente, Antonio Marcos Teles, com dinheiro do próprio bolso. Toda a família se envolveu para que a Tijuca não “enrolasse a bandeira” (se extinguisse).
A rainha de bateria, Laynara Teles, filha de Antonio Marcos, trabalhou no barracão, com a irmã e a mãe. Dividiu-se entre as tarefas administrativas e a malhação. Ex-passista mirim, ela é rainha há nove anos, mas fez sua estreia no Grupo Especial. “Aqui a competição é maior, tem muita rainha. Mas meu pai me garante”, brincou.
A São Clemente foi a terceira escola a entrar na Marquês de Sapucaí no primeiro dia de desfiles. Com um enredo sobre Favelas, a escola de Botafogo teve no abre-alas uma encenação da Guerra de Canudos – confronto entre o Exército Brasileiro e os integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, entre 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior da Bahia.
O desfile marcou a estreia de Raphaela Gomes de 15 anos como rainha de bateria. “Estou nervosa, mas amo a escola e estou preparada. A bateria vai dar um show de funk e eu vou dançar com os ritmistas”, disse.
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