Gravidez na adolescência e a reverberação do ciclo da pobreza
Na última década, os índices de gravidez na adolescência diminuíram no Brasil, no entanto, esse é um problema ainda muito presente. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2015, um a cada cinco partos em 2014 foi realizado por uma mãe adolescente. Assim, torna-se necessário uma mais profunda discussão e conscientização sobre a questão, pois muitos […]

Na última década, os índices de gravidez na adolescência diminuíram no Brasil, no entanto, esse é um problema ainda muito presente. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2015, um a cada cinco partos em 2014 foi realizado por uma mãe adolescente. Assim, torna-se necessário uma mais profunda discussão e conscientização sobre a questão, pois muitos não entendem que o problema está irremediavelmente ligado à desigualdade social.
Muitos pontos podem ser associados como causa da gravidez adolescente. A maioria das mulheres que passa por isso apresenta baixa escolaridade, é negra e vive em áreas mais periféricas. Pessoalmente, acredito que a falta de informação e a baixa disponibilidade de métodos contraceptivos em zonas periféricas são as causas mais alarmantes.
As mães adolescentes, muitas vezes, abandonam os estudos e enfrentam muitas dificuldades para ter acesso ao mercado de trabalho. Além disso, o moralismo se constitui como alicerce para a falta de investimento em educação sexual nas escolas públicas, aprofundando ainda mais a desigualdade social e consolidando o ciclo da pobreza. Entendem como não podemos dissociar a questão da gravidez de outros problemas sociais?
Para as meninas mais favorecidas economicamente, a gravidez se apresenta, de certa maneira, como uma possibilidade, enquanto meninas de classes mais baixas têm a gravidez como um destino consolidado. O mais lógico para solucionar esse problema é o investimento na educação sexual para todos e uma melhor disponibilização de métodos anticoncepcionais, mas esse assunto incomoda muito nossa sociedade, ainda muito negligente sobre a questão da liberdade sexual.
Parceira:

Com supervisão de Samuel Strazzer, jornalista do Grupo Meon.
Aluna do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Poliedro, em São José dos Campos
