Há 22 anos, pesquisa eleitoral “definia” eleição em São José
Se neste domingo (26) a eleição para definir quem vai governar o Brasil pelos próximos quatro anos será também um teste para os institutos de pesquisa, há 22 anos a divulgação de uma pesquisa eleitoral causava alvoroço no cenário político de São José dos Campos na eleição para a prefeitura do município.


Coimbra: “foi uma pesquisa absolutamente criminosa”
Flávio Pereira/Meon
Se neste domingo (26) a eleição para definir quem vai governar o Brasil pelos próximos quatro anos será também um teste para os institutos de pesquisa, há 22 anos a divulgação de uma pesquisa eleitoral causava alvoroço no cenário político de São José dos Campos na eleição para a prefeitura do município.
O ano era 1992 e os candidatos José de Castro Coimbra (PTB) e Ângela Guadagnin (PT) disputavam uma equilibrada campanha para o cargo de prefeito da cidade. Um dia antes da eleição, ainda contabilizada em cédulas de papel, uma pesquisa eleitoral estampada nos jornais da época apontou o que seria uma tranquila vitória da candidata petista por 48% a 36%.
Terminada a apuração, diferentemente do que havia sido previsto, Ângela sagrou-se vencedora com uma diferença apertada. Ela obteve 93.404 votos (42,8%) contra 91.420 votos (41,9%) de Coimbra. A diferença de 1.984 votos, considerada mínima, foi desmoralizante para o instituto responsável pela pesquisa.
O episódio está até hoje entalado na garganta do candidato derrotado. Para Coimbra, não restam dúvidas de que as pesquisas lhe tiraram a chance de se eleger prefeito de São José dos Campos.
“Foi uma pesquisa absolutamente criminosa que saiu estampada para todo mundo ver e acabou me custando a eleição. A pesquisa que eu encomendei na época me dava uma vitória bastante apertada, por mais ou menos dois pontos percentuais, ou seja, um empate técnico. Estávamos trabalhando em uma campanha árdua e fomos surpreendidos por essa notícia mentirosa”, lembra.
Naquele ano, Coimbra era deputado estadual e, segundo ele, se candidatou por ter boas chances de vitória. O ex-deputado afirma que a divulgação da “fatídica pesquisa” representou um duro golpe para sua militância.
“E quem ia querer trabalhar como fiscal para a nossa campanha sabendo que já havíamos perdido? Quem ia vestir a camisa e levantar a candidatura? De uma hora para outra a campanha ficou murcha e esse sentimento de derrota da minha candidatura tomou a cidade. Acabou que perdi mesmo”, afirma.
Coimbra, que se elegeu deputado federal dois anos depois, diz não guardar ressentimentos do episódio.
Coronelismo
Para a cientista política Dora Soares, de São José dos Campos, a tendência do eleitor decidir seu candidato baseando-se nas pesquisas de intenção de voto é uma herança do coronelismo. Dora acredita que o brasileiro ainda mantém o desejo de estar no time vencedor, deixando para segundo plano as propostas dos candidatos para melhorar sua vida.
“Isso está enraizado na nossa cultura. Não praticamos uma democracia cujo eleitor saiba que realmente tem nas mãos o poder de mudar sua realidade. Isso acontecia lá em 1992 e ainda acontece hoje, 22 anos depois, é difícil mudar”, diz.
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