Hip hop e soul marcam a segunda noite do Nublu Jazz Festival
Evento no Sesc São José traz novas vertentes do jazz mundial


MC Rodrigo Brandão, do Zulumbi, levantou o público no primeiro show da noite
Fernanda Segolin/ Divulgação
Do rap ao neosoul em mais uma noite memorável do Nublu Jazz Festival no Sesc São José dos Campos nesta sexta-feira (27). Foi nesse passeio pela música negra que o público conferiu o segundo dia de shows do evento, começando pelo groove de rap, funk e hip hop do Zulumbi somado à experiência do flautista norte americano Brian Jackson para depois pousar no som cheio de climas e longe de todos os clichês dos australianos do Hiatus Kaiyote.
O Zulumbi é “no papel” um trio, mas tem tanta gente no palco que não dá pra ter uma noção exata da festa que acontece se você imaginar essa formação. Um MC (Rodrigo Brandão), um DJ (PG) e o guitarrista Lucio Maia, do Nação Zumbi, ganham a companhia de baixo, bateria, percussão e teclados para fazer um som que mistura rimas e balanço. Não é aquele rap seco, rimado em cima apenas de uma batida. O som dos caras passeia pelas melodias funkeadas de James Brown e companhia.
A guitarra de Lucio Maia sempre encontra seus espaços, a “cozinha” (baixo, bateria e percussão) fazem a cama e a presença ilustre de Brian Jackson garantiram um show animado no Festival.
Jackson é um veterano. Nos anos 70 fazia, junto com o poeta Gil Scott-Heron, um trabalho bastante celebrado de poesia cantada. Apesar de ser conhecido como flautista, seu talento na voz e nos teclados não deixa nada a desejar. Foi um show cheio de energia que fez o público do Sesc balançar junto com a cabeleira do MC Rodrigo Brandão.
Na sequência, os australianos do Hiatus Kaiyote criaram um clima completamente diferente, mas musicalmente tão bom quanto o anterior. A figura excêntrica da vocalista Naomi Saalfield, também conhecida por Nai Palm (um apelido que vem da tradição de mulheres punks), traz uma voz negra irrepreensível. Sua capacidade de atingir tons altos e baixos com naturalidade também impressiona.
Mas o que faz a banda ser tão celebrada, indicada ao Grammy e receber elogios de Erikah Badu, é o conjunto. Nenhum dos outros três músicos (baixo, teclado e bateria) buscam os caminhos fáceis do R&B atual. Fogem dos clichês, criam climas com texturas eletrônicas e atravessam os tempos normais de uma partitura.
Neste sábado (28), acontece a noite mais esperada do festival, o projeto do saxofonista Ilhan Ersahin, Istanbul Sessions e o quarteto norte-americano James Farm, quem tem à fente o também saxofonista Joshua Redman.
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