Imagens feitas pelo norte-americano William Eggleston estão em cartaz no IMS
O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro traz para o Brasil as fotografias de William Eggleston, considerado o precursor do uso da fotografia colorida como expressão autoral. O ano era o de 1976, o museu, o prestigioso museu de arte moderna de Nova York (MoMA), o curador John Szarkowsky, diretor do departamento de fotografia do museu de…

O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro traz para o Brasil as fotografias de William Eggleston, considerado o precursor do uso da fotografia colorida como expressão autoral.
O ano era o de 1976, o museu, o prestigioso museu de arte moderna de Nova York (MoMA), o curador John Szarkowsky, diretor do departamento de fotografia do museu de 1962 até 1991. O artista William Eggleston, nascido em 1939 em Memphis, no Tennessee, é herdeiro de uma família que há gerações se dedicava ao cultivo do algodão. A exposição, William Eggleston’s Guide, um conjunto de imagens coloridas.
Se não foi a primeira, com certeza, foi uma das primeiras vezes que a fotografia colorida entrou pela porta da frente num museu. Até então era o preto e branco que dominava soberano e que ditava as regras da boa fotografia – eram nomes como Henry Cartier-Bresson, Robert Frank e Walker Evans, só para citar alguns exemplos. A cor até então era considerada vulgar, óbvia demais, coisa de amadores. Além disso, a fotografia colorida, naquela época, estava vinculada à fotografia comercial, de moda, publicidade, muito longe do que se acreditava ser a fotografia artística.
É o crítico Richard Woodward que nos lembra que o conhecido fotógrafo Ansel Adams, rigoroso na técnica de laboratório em preto e branco, escreveu ao museu quando a exposição de Eggleston foi aberta afirmando que “o museu estava desgraçando a si mesmo ao expor aquelas fotografias”.
Eggleston se interessou por fotografia ainda estudante universitário em 1957, mas foi só na metade da década de 1960 que passou a se interessar pela fotografia colorida e suas possibilidades estéticas.
Trinta e nove anos depois, e com as questões da época já superadas, aquelas fotografias chegam ao Brasil por meio da exposição William Eggleston, a cor americana, no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. São imagens realizadas durante as décadas de 1960 e 1970. Fotografias que retratam o cotidiano e a paisagem de pequenos subúrbios do sul dos Estados Unidos, tomadas que em muito lembra instantâneos de amadores, a fotografia ingênua, Uma foto que retratava o dia-a-dia como as de vitrines, estacionamentos de supermercados ou shoppings de beira de estrada, pessoas comuns, situações banais. E assim como Robert Frank que em 1958, com seu livro The Americans, “libertou a fotografia” de normas rígidas, William Eggleston trouxe uma simplicidade formal à fotografia da época. No texto escrito por Thyago Nogueira, curador da mostra e editor da revista Zum, no catálogo que acompanha a exposição, é o próprio fotógrafo que lembra como ficou encantado ao acompanhar o trabalho de amigo em um laboratório de revelação automática “comecei a ver essas imagens saírem – e elas saem em longas tiras – e achei que a maioria delas fosse um acidente. Algumas eram absolutamente lindas. E comecei a passar a noite toda admirando as tiras fotográficas”.
E se no final da década de 1970 aquelas fotografias suscitaram muito barulho, chegando até a ser descritas como “imagens enfadonhas”, a estética de William Eggleston acabou por influenciar fotógrafos da contemporaneidade como a norte-americana Nan Goldin e o alemão Wolfgang Tillmans. É inegável que William Eggleston foi um dos precursores para entender o papel da cor na fotografia e suas possibilidades na construção da linguagem.
A exposição que fica no IMS até 28 de junho. Além das imagens que fizeram parte da primeira exposição de 1976, traz também o ensaio Los Alamos, resultado de viagens de carro do Delta do Mississippi à Califórnia, além de 5 fotografias em preto e branco realizadas antes de assumir a cor como sua linguagem e um filme experimental Stranded in Canton, realizado entre 1973 e 1974 nos bares de New Orleans. Uma exposição que nos ajuda a relembrar a importância das raízes históricas, para podermos quebrar padrões preestabelecidos e ajudar a nos livrarmos de modas que muitas vezes acreditamos inovadoras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
