Outubro Rosa: Brasil deve registrar 78,6 mil casos de câncer de mama por ano; 51% chegam ao SUS em estágio avançado
Dados do INCA mostram que a doença representa 30% dos novos casos de câncer entre mulheres no país

O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio de 2026 a 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma, e representa 30% dos diagnósticos oncológicos nesse grupo.
Os números reforçam a importância das campanhas do Outubro Rosa, que buscam ampliar a conscientização sobre a doença, incentivar o diagnóstico precoce e informar a população sobre prevenção e acesso aos exames.
Um levantamento divulgado em outubro de 2026 pelo Observatório de Oncologia, com dados do Sistema Único de Saúde (SUS) referentes ao período de 2015 a 2025, aponta que cerca de 51% dos diagnósticos de câncer de mama registrados ocorreram nos estágios 3 ou 4, considerados avançados. Em São Paulo, o percentual foi de 49%.
Diagnóstico tardio ainda é um desafio
O estudo também identificou dificuldades no acesso ao tratamento. Entre 2015 e 2025, o intervalo médio entre o diagnóstico do câncer de mama e o início do tratamento no SUS foi de 123 dias.
O tempo variou conforme a faixa etária. Entre pacientes de 20 a 29 anos, a média foi de 98 dias. Para mulheres de 50 a 59 anos, chegou a 125 dias, enquanto na faixa de 60 a 69 anos ficou em 122 dias.
O diagnóstico em fases iniciais está associado a melhores resultados no tratamento e à possibilidade de intervenções menos agressivas, dependendo das características da doença. Por isso, reconhecer alterações nas mamas e procurar atendimento diante de sinais suspeitos são medidas importantes.
Mamografias e acesso ao rastreamento
O levantamento do Observatório de Oncologia contabilizou mais de 25 milhões de mamografias de rastreamento realizadas pelo SUS entre 2015 e 2025, considerando as faixas etárias de 50 a 69 anos utilizadas na análise.
O estudo, porém, aponta oscilações na realização dos exames. Em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, a produção de mamografias caiu 41,5% em comparação com 2019. Em 2021, a redução foi de 17,2%. Após a recuperação nos anos seguintes, houve queda de 0,2% em 2024 e de 1% em 2025, na comparação com o ano anterior.
A recomendação nacional de rastreamento foi atualizada em setembro de 2025. Atualmente, o Ministério da Saúde orienta a realização de mamografia de rotina a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos que não apresentam sinais ou sintomas suspeitos.
Mulheres de 40 a 49 anos e aquelas acima de 74 anos também podem ter acesso à mamografia pelo SUS, mediante orientação profissional e decisão compartilhada sobre os possíveis benefícios e riscos do exame. Quem apresenta alterações suspeitas deve procurar avaliação médica, independentemente da idade.
Quais são os sinais de alerta?
O câncer de mama pode apresentar diferentes manifestações. Entre os sinais que merecem avaliação médica estão:
- Nódulo na mama ou na região da axila;
- Alteração no tamanho ou no formato da mama;
- Retração da pele ou do mamilo;
- Vermelhidão persistente ou pele com aspecto semelhante ao de casca de laranja;
- Saída espontânea de líquido pelo mamilo, principalmente se houver sangue;
- Feridas na pele da mama que não cicatrizam.
Essas alterações não significam necessariamente câncer, mas precisam ser avaliadas por um profissional de saúde. O autoexame pode ajudar a perceber mudanças, mas não substitui a avaliação clínica nem os exames recomendados.
Hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco
A idade é um dos principais fatores de risco: aproximadamente quatro em cada cinco casos de câncer de mama ocorrem após os 50 anos. Histórico familiar, alterações genéticas hereditárias, excesso de gordura corporal, sedentarismo e consumo de bebidas alcoólicas também estão associados ao aumento do risco.
Segundo o INCA, cerca de 17% dos casos podem ser evitados com hábitos saudáveis, como praticar atividade física, manter o peso adequado, evitar bebidas alcoólicas e amamentar, quando possível. Essas medidas não eliminam o risco, mas podem contribuir para reduzir a probabilidade de desenvolver a doença.
O Outubro Rosa reforça que informação, acompanhamento da saúde e acesso ao diagnóstico são fundamentais. A identificação de alterações suspeitas e a busca por atendimento sem demora podem contribuir para que a doença seja descoberta em fases iniciais, ampliando as possibilidades de tratamento.
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