Inquérito que acusa secretário de Ilhabela de caça ilegal vai à Justiça
O inquérito policial que apura denúncia contra o secretário de Serviços Municipais Urbanos de Ilhabela, Valdir Veríssimo por prática de caça ilegal, deverá ser encaminhado à Justiça nesta segunda-feira (27). A peça será acompanhada do relatório final do delegado da cidade e do depoimento do acusado.


A polícia encontrou carne de animais silvestres e arma na casa de Veríssimo
Divulgação/CMI
O inquérito policial que apura denúncia contra o secretário de Serviços Municipais Urbanos de Ilhabela, Valdir Veríssimo por prática de caça ilegal, deverá ser encaminhado à Justiça nesta segunda-feira (27). A peça será acompanhada do relatório final do delegado da cidade e do depoimento do acusado.
Após não atender às primeiras intimações, Veríssimo prestou depoimento na delegacia da cidade no último dia 16. Ele foi acusado após a Polícia Ambiental encontrar, em junho deste ano, um freezer com seis quilos de carne de animais silvestres, uma espingarda calibre 28, munições e diversos apetrechos de caça dentro de sua residência. Acompanhado de seu advogado, o secretário negou todas as acusações.
A análise das carcaças pela perícia comprovou tratar-se de animais silvestres, incluindo jacus e cotias. O suspeito foi enquadrado no artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais, que prevê detenção de seis meses a um ano, além de multa, para quem mata espécimes da fauna ambiental silvestre. Ele também deverá responder por porte ilegal de arma de fogo com base na Lei do Desarmamento, artigo 14.
Apesar das evidências, o advogado de Veríssimo declara que seu cliente não sabe como a carne apreendida foi parar na geladeira da residência. O delegado responsável pelo caso, Cláudio Paganotto de Araújo, diz que todos os procedimentos legais foram realizados por parte da polícia. “Agora, fica a cargo da Justiça definir as diretrizes do processo”, afirma ele.
Fiscalização
O conselho do Parque Estadual de Ilhabela deverá se reunir nos próximos dias para discutir a questão da fiscalização ambiental no município, que tem quase 90% do território demarcado como unidade de conservação. O tema ganha atenção após uma rede de ranchos de caça ter sido encontrada no final do mês de julho por guardas do parque. O acampamento foi montado a mais de mil metros de altitude, em tocas próximas à Trilha do Estevão, que liga a estrada de Castelhanos à praia do Bonete.
Após denúncias de moradores, foi encontrada no local uma estrutura completa para atividades de caça. Colchões, sacos de dormir, vestimentas, munições e mais de 10 panelas indicam que o grupo era numeroso, segundo informações passadas por guardas que participaram da operação de forma voluntária. Eles contam que a dificuldade de fiscalização é grande, pois trata-se de uma área de 27 mil hectares para apenas cinco guardas. Outra questão apontada por eles é a segurança, já que essas práticas indicam crime e muitos funcionários têm medo de possíveis confrontos.
Apesar das pesquisas apontarem um crescimento nesse tipo de atividade, as denúncias são poucas. Dados apontam que 50% das espécies da fauna silvestre desapareceram de Ilhabela em 40 anos. De acordo com o capitão da Polícia Militar Ambiental, Marco Aurélio Ribeiro da Silva, em 2014 foram registradas cinco ligações com denúncias ambientais no município, sendo que quatro resultaram em autos de infração.
Considerando a dificuldade de fiscalização e os problemas estruturais dentro do parque, o Instituto Ilhabela Sustentável encaminhou documento ao governador do Estado, Geraldo Alckmin, solicitando a implantação de um pelotão da polícia ambiental no município. Um plano de manejo e gestão também vem sendo elaborado para implantar novas medidas de segurança e fiscalização. Segundo funcionários do parque, o plano será enviado para votação da Câmara Temática da Biodiversidade até o dia 24 de novembro.
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