Inspirado em macaco de Kafka, Boa Companhia abre Mostra de Teatro de Taubaté
“Quem de fato evoluiu, homem ou macaco? O que é ser civilizado?”, conta Moacir Ferraz, ator da peça “Primus”, da Boa Companhia, que se apresenta nesta terça-feira (13), às 20h, no Teatro Metrópole para a abertura da 12ª Mostra de Teatro de Taubaté.


Montagem “Primus”, da Boa Companhia, discute a evolução humana
Divulgação
No século 20, um macaco é tirado da selva e, já na cidade, tem duas escolhas: morar num zoológico ou trabalhar no circo. O primata vai para o picadeiro e, cinco anos depois, fala e vive entre os homens normalmente.
“À medida que a peça avança aparecem questões de quem de fato evoluiu, homem ou macaco? Ou o que é ser civilizado?”, provoca Moacir Ferraz, ator da peça “Primus”, da Boa Companhia, que se apresenta nesta terça-feira (15), às 20h, no Teatro Metrópole para a abertura da 12ª Mostra de Teatro de Taubaté. A entrada é grátis.
Natureza e cultura, racional e irracional, homem e animal. Essas são algumas das dicotomias abordadas pela montagem que está em cartaz há 15 anos e é uma adaptação do conto “Comunicado a Uma Academia”, do escritor tcheco Franz Kafka. Para além da veia literária, no entanto, o foco do trabalho da companhia campineiro não é o texto, mas o ator e seu corpo.
“No geral, o nosso corpo é completamente domado, reprimido desde a infância até a morte. E o corpo do macaco é, em essência, livre. Por isso temos dança, percussão e capoeira na peça para falar metafórica e literalmente sobre essa conformação”, diz Ferraz, que interpreta o macaco e observou os movimentos dos símios em um zoológico e em vídeos da National Geographic para a preparação do espetáculo.
O trabalho de ator
O sucesso do macaco em “Primus” se dá justamente como ator em um teatro de variedades -situação que não é coincidência, mas crítica à classe teatral. “A tarefa de fazer um determinado tipo de teatro pode ficar difícil para o ator profissional e, às vezes, você tem que colocar o seu conhecimento no bolso e ir fazer um coelhinho da Páscoa nas Lojas Americanas”, admite o ator, bem humorado.
Para Ferraz, contudo, “o mais importante na peça é a oposição entre liberdade e saída”. “O que não fazemos para sobreviver? Está todo mundo buscando uma saída nesse mundo louco”, fala Ferraz, que diz expor suas experiências de sobrevivência no teatro no bate-papo após a peça.
“PRIMUS”
Quando: terça-feira (15), às 20h
Onde: Teatro Metrópole – rua Duque de Caxias, 312, Centro, Taubaté
Quanto: grátis
Mais informações: (12) 3624-8695
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