Investimento da indústria deve recuar 50%, aponta pesquisa da Fiesp
Cidades da RMVale sentem ainda mais os impactos da crise econômica


Pesquisa foi realizada com 1.120 empresas de vários portes e setores industriais
Divulgação
Uma pesquisa da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) apontou que o investimento da indústria de transformação em máquinas, equipamentos e instalações teve um recuo de 50,4% em relação a 2015.
A pesquisa foi realizada com 1.120 empresas de vários portes e setores industriais e os resultados reforçam a gravidade da crise econômica atual. As entrevistas foram realizadas entre os dias 14 de março e 22 de abril de 2016, antes da mudança no governo federal.
De acordo com o levantamento feito pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, 56,6% das empresas pesquisadas declararam não ter realizado investimentos em 2015, e 73,2% não irão investir este ano.
Segundo a Fiesp, a pesquisa captou os ânimos das indústrias antes da abertura do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Hoje, há um maior otimismo dos representantes das empresas com o governo do presidente interino Michel Temer, mas ainda não houve uma melhora significativa no cenário econômico.
A retração esperada para a economia brasileira – de 3,8% em 2016 – reduz o investimento industrial, porque o setor projeta um cenário de queda de demanda e baixo retorno.
Região
Para o economista da Unitau, Luiz Carlos Laureano, algumas cidades da RMVale, fortemente industrializadas, sentem ainda mais os impactos da crise econômica.
“Nós estamos numa região estritamente industrial, com muitas empresas em Taubaté, Pinda, Cruzeiro, São José dos Campos, Jacareí. Numa situação econômica ruim, essas cidades são mais afetadas. Nós fizemos uma pesquisa de emprego e desemprego recente em Taubaté que apontou um índice de desemprego entre 19 e 21%, altíssimo, mas justamente porque é uma cidade industrial”.
O economista acredita que, enquanto o impasse político não for resolvido, a crise vai demorar para ser revertida.
“A equipe econômica do atual governo interino é competente, mas não vejo, no curto prazo, uma solução. Enquanto não resolver o problema político, vamos ficar patinando. Porém, já há sinais de melhora na expectativa, já ouvi empresários falando em investir”.
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